Durigan aposta em aproximação com mercado para recuperar credibilidade do governo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem intensificado a interlocução com o mercado financeiro e economistas, buscando sinalizar uma possível mudança na política fiscal

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, tem intensificado a interlocução com o mercado financeiro, participando de eventos e solicitando audiências com as grandes casas financeiras do país. A estratégia visa também procurar nomes importantes da economia que já estiveram em governos passados e formuladores de políticas públicas, muitos deles críticos à condução do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Este movimento é político, buscando demonstrar pluralidade e interesse em construir o que seria uma mudança na política fiscal para um eventual novo mandato petista. No entanto, o vazamento das conversas tem gerado mais desconforto do que os próprios pedidos para ouvir figuras percebidas como referências na economia brasileira. Encontros com Armínio Fraga e Pedro Malan, ventilados pela própria Fazenda, ainda não estão agendados, nem mesmo confirmados.
Apesar disso, ao sinalizar que reuniões com Durigan devem ocorrer, o governo tenta recuperar a credibilidade perdida com o mercado e o setor privado nos últimos anos. É um esforço para convencer sobre a disposição de fazer ajuste fiscal caso Lula seja reeleito.
Historicamente, o Partido dos Trabalhadores (PT) não costuma admitir elogios públicos ao Plano Real por parte de seus aliados ou membros do governo, muito menos aos seus formuladores e executores. Por isso, a articulação para ouvi-los causa estranheza entre executivos do mercado.
Nas conversas já realizadas, o ministro Dario Durigan é descrito como uma pessoa simpática, com um discurso "azeitado" para agradar, mas sem apresentar nada de concreto. Não há compromisso explícito para rever uma das principais causas da disparada das despesas obrigatórias desde o retorno do PT ao Planalto, como o reajuste real do salário mínimo.
Adicionalmente, não há uma resposta clara para uma premissa fundamental sobre a atual situação fiscal do país: o motivo pelo qual a situação chegou ao ponto atual em quase quatro anos de governo.
Durigan é visto como um forte candidato a assumir o Ministério da Fazenda em um possível quarto mandato de Lula, com apoio firme de Fernando Haddad. Outra dúvida que paira entre economistas e gestores é sobre a capacidade de Durigan de dizer "não" ao presidente, algo que nem mesmo Haddad, descrito como um "companheiro fiel", foi capaz de fazer.
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