PGR pede que investigação contra Lulinha, filho do presidente, deixe o STF
Fábio Luis Lula da Silva é investigado por suposto tráfico de influência e corrupção em negociações de cannabis medicinal com o governo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o inquérito que investiga Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, seja enviado à 1ª instância da Justiça. O filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é investigado por sua suposta participação em negociações envolvendo um projeto de comercialização de cannabis medicinal com o governo federal.
No entendimento da PGR, não há no caso investigado nenhuma pessoa com foro por prerrogativa de função no STF, o que retiraria da Corte a competência para conduzir o inquérito.
A decisão sobre o pedido caberá ao ministro André Mendonça, relator de dois inquéritos que tramitam no STF e envolvem Lulinha.
Investigação envolve lobista
Segundo a investigação da Polícia Federal, Lulinha teria participado de negociações com a lobista Roberta Luchsinger relacionadas à autorização para comercialização de cannabis medicinal em programas vinculados ao Ministério da Saúde.
A apuração investiga possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência. De acordo com os investigadores, Luchsinger também pretendia receber 20% dos valores de contratos que fossem firmados com o governo federal.
Mensagens obtidas pela investigação mostram a lobista dizendo atuar em nome de Lulinha nas tratativas com integrantes do Ministério da Saúde.
Em uma das conversas, segundo o relatório da PF, Luchsinger afirmou: “eu sou o Fábio”, em referência a Fábio Luís Lula da Silva. A investigação afirma que, aparentemente, ela tinha autorização para agir em nome do filho do presidente.
Outro lado
A defesa de Lulinha afirmou que os elementos divulgados são resultado de “vazamentos ilegais” e questionou a imparcialidade e a condução das investigações.
Segundo os advogados, os trechos divulgados são partes de relatórios que não permitiriam avaliar o contexto completo das conversas, além de questões relacionadas à legalidade da obtenção das informações, cadeia de custódia e possíveis excessos na investigação.
A defesa de Roberta Luchsinger foi procurada para comentar as acusações, mas não havia se manifestado até a publicação.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



