Caso Lulinha acende alerta na campanha de Lula à reeleição
PGR pede saída do inquérito do STF, enquanto CPI no Senado aumenta a pressão sobre o entorno do presidente

A investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, passou a preocupar mais o núcleo político da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição. O tema ganhou novo peso nesta quinta-feira (20), depois que a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que um dos três inquéritos envolvendo o filho do presidente seja enviado para a primeira instância da Justiça.
O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso, sob o argumento de que não há investigados com foro por prerrogativa de função que justifiquem a permanência da investigação no Supremo. Cabe agora ao ministro decidir se aceita ou não a manifestação da PGR.
A manifestação ocorreu um dia depois de Lula passar mais de três horas reunido, no Palácio da Alvorada, com o advogado do filho, Marco Aurélio de Carvalho. O encontro aconteceu em meio à repercussão das investigações e à proximidade do início da campanha eleitoral.
Nos bastidores, aliados do presidente avaliam os possíveis efeitos políticos do caso. Há preocupação de que as suspeitas sejam exploradas pela oposição durante a disputa presidencial e recolocadas no centro do debate eleitoral sobre corrupção. Ao mesmo tempo, integrantes da campanha avaliam que o episódio pode ter impacto limitado sobre o eleitorado.
O que está sendo investigado?
O inquérito que a PGR quer retirar do STF apura suspeitas relacionadas a uma tentativa de negociação de medicamentos à base de canabidiol com o Ministério da Saúde.
A Polícia Federal identificou diálogos nos quais a empresária Roberta Luchsinger aparece dizendo atuar em nome de Lulinha e tentando intermediar a negociação. Segundo as informações divulgadas sobre a investigação, o negócio não chegou a ser concretizado.
Lulinha também é citado em outras investigações da Polícia Federal. A existência dos inquéritos, entretanto, não significa que haja conclusão sobre responsabilidade criminal. As suspeitas ainda são objeto de investigação.
Como o caso pode afetar a campanha?
A preocupação política está relacionada principalmente à possibilidade de a oposição associar as investigações envolvendo Lulinha ao presidente durante a campanha.
Integrantes da campanha de Lula monitoram o assunto e discutem a forma de abordagem pública. Uma das estratégias discutidas nos bastidores é defender que as investigações sigam normalmente, sem interferência do presidente, e reforçar a autonomia das instituições. O PT, por sua vez, sustenta que eventuais irregularidades devem ser investigadas e que o processo deve seguir seu curso.
O fato é que a decisão imediata está nas mãos de André Mendonça. Caso o ministro aceite o pedido da PGR, o inquérito será encaminhado à primeira instância, onde a investigação poderá continuar.
Enquanto isso, a defesa de Lulinha contesta as suspeitas e acompanha o andamento dos inquéritos. O caso deve continuar no radar da campanha presidencial, especialmente porque a investigação avança justamente no início da disputa eleitoral de 2026.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



