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Domingos Sávio põe panos quentes em cisma no PL causada por reunião de Nikolas com policiais

Presidente do PL em Minas Gerais se disse feliz pela participação de Nikolas Ferreira na pauta do reajuste salarial das forças de segurança

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Deputado Domingos Sávio (PL)
Deputado Domingos Sávio (PL), presidente do partido em Minas • Kayo Magalhaes / Câmara dos Deputados

Presidente do PL em Minas Gerais, Domingos Sávio comentou sobre a recente cisma gerada no partido em torno dos parlamentares que representam servidores da segurança pública. Em Uberaba para o lançamento da safra mineira de cana de açúcar e etanol nesta sexta-feira (24), o deputado federal e pré-candidato ao Senado colocou panos quentes na celeuma gerada pelo encontro de policiais com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) na quarta-feira (22) sem a presença de nomes da legenda que tradicionalmente representam as forças de segurança. 

 

A segurança sempre foi uma pauta que uniu todos nós do PL. [...] Eu fico feliz que todos aqueles que já defendem essa pauta possam contar também com o apoio do Nikolas Ferreira. Eu acho que o Nikolas tem uma função que alcança todos os setores pela liderança que ele alcançou. E isso, é claro, não diminui a importância de cada um dos outros colegas que lutam por essa mesma pauta”, contemporizou Domingos Sávio.

 

Na quarta-feira, Nikolas reuniu representantes de entidades de classe dos bombeiros e policiais civis, penais e militares para viabilizar uma reunião das forças de segurança e conseguir o avanço de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que garanta o reajuste salarial anual para a categoria. O evento causou desconforto pela falta de convite a nomes como os deputados estaduais Cristiano Caporezzo e Sargento Rodrigues, ambos do PL e com a pauta dos servidores da segurança no centro de suas atividades políticas. 

 

Os parlamentares classistas usaram as redes sociais para criticar o almoço organizado por Nikolas e aventaram a possibilidade de que o deputado federal tenha feito a reunião com interesse em alavancar a candidatura de outros nomes com a bandeira da segurança pública.

 

Os servidores da segurança se reúnem nesta sexta com a Secretaria de Governo para debater a votação da PEC 40/2024, que garante a revisão anual dos vencimentos de bombeiros e policiais civis, penais e militares de acordo com a inflação.

 

Domingos Sávio complementou sua análise sobre o tema dizendo que quer apagar o incêndio com água e não com gasolina. O deputado comparou a situação com o apoio dado por Nikolas para pautar a votação do veto de Lula ao PL da dosimetria no Senado

 

“Eu vou dar um exemplo concreto. Nós da direita, nós que votamos e aprovamos a lei que reduz a pena daqueles que estão condenados no 8 de janeiro, estamos lutando desde o ano passado para votar e derrubar o veto que o Lula colocou no projeto de lei. O Nikolas Ferreira, com o prestígio e com a força que tem,  resgatou novamente esse movimento, foi ao presidente Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e o Davi, logo em seguida, anunciou para essa semana que vem a votação do veto. Isso não diminuiu a minha luta, não diminuiu a luta do Eros Biondini (PL-MG), diminuiu a luta do Marcel Van Hattem (Novo-RS) e de nenhum dos outros deputados federais, senadores e da militância de direita que luta para que a gente faça, de fato, justiça e liberte essas pessoas. Mas nós não podemos ignorar que a ajuda do Nikolas foi decisiva. Eu diria a mesma coisa aqui para a questão da segurança. O Nikolas lutar para que a gente também conquiste esse direito dos profissionais de segurança não diminui a luta do Sargento Rodrigues, do Caporezzo, da delegada Sheila, do cabo Júnio Amaral, isso para citar alguns”, afirmou.

 

 

 

A PEC 40

 

O tema toca na principal insatisfação da categoria com a atual gestão do estado, iniciada com Romeu Zema (Novo) em 2019: a não recomposição das perdas salariais. Mesmo após promessa e aprovação de projetos na Assembleia, o Executivo não pagou duas parcelas de reajuste próximo à casa dos 10% em 2021 e 2022 e os servidores da segurança reivindicam um reajuste na casa dos 50% para corrigir as perdas dos últimos anos. Essa celeuma colocou Zema e o atual governador Mateus Simões (PSD) na mira de seguidos protestos nas ruas e na Assembleia.

 

A PEC 40 foi desenterrada por Mateus Simões ao fim da cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto, na terça-feira (21). Em entrevista após a solenidade, o governador anunciou que mobilizaria a Assembleia para votar o texto, que nasceu da mobilização de policiais junto a câmaras municipais do interior do estado e não recebeu atenção do Executivo desde então.

 

Com ampla maioria na Assembleia, a base governista tem número para fazer o projeto avançar. O texto, no entanto, só poderia ser sancionado após outubro, que a lei eleitoral impede que propostas que majorem o salário de servidores sejam aprovadas nos seis meses que antecedem o pleito.

 

O projeto faz parte da tentativa de reaproximação do governo com as forças de segurança. Simões protagonizou o evento do dia de Tiradentes em Ouro Preto com uma defesa efusiva do militarismo ao criticar a fala de Ângelo Oswaldo, prefeito da cidade histórica, que o antecedeu no evento.

 

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Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.

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Jornalista formado pela UFMG, Bruno Nogueira é repórter de Política, Economia e Negócios na Itatiaia. Antes, teve passagem pelas editorias de Política e Cidades do Estado de Minas, com contribuições para o caderno de literatura.