Pressão sobre Lula por mulher no STF avança após derrota de Messias
Movimento de juristas e políticos ganha força, resgata lista de nomes femininos e expõe indefinição do Planalto sobre a próxima indicação

O vazio deixado pela rejeição no Senado virou espaço de disputa. Juristas, políticos e entidades voltaram a pressionar pela indicação de uma mulher ao Supremo Tribunal Federal - de preferência, negra. Nos bastidores, nomes que já circulavam antes da escolha de Messias retornam ao radar, com destaque para a ex-ministra do TSE, Edilene Lobo, e a ministra do Superior Tribunal de Justiça, Daniela Teixeira.
A cena não é nova. Antes mesmo da indicação de Messias, havia uma mobilização semelhante. Ela foi interrompida pela escolha do advogado-geral da União em novembro do ano passado. Agora, volta com mais força - e com um aprendizado: a necessidade de maior articulação política e escuta de movimentos negros para sustentar um nome até o fim.
A Plataforma Justa tratou de ocupar esse espaço. Horas após a derrota, na última quarta-feira (29), divulgou manifesto e reapresentou uma lista de juristas. O recado foi direto: falta decisão política, não falta nome.
Entre fontes ouvidas pela Itatiaia, a leitura é pragmática. A derrota pode ser lida como fracasso — ou como correção de rota. “Entre o copo meio cheio e o meio vazio”, diz um interlocutor, “o governo ganhou uma nova chance de acertar”.
Diretora-executiva da entidade, a advogada Luciana Zaffalon vai na mesma linha. Vê no episódio uma “janela de oportunidade” para um avanço democrático . Para ela, a indicação de uma mulher negra ao Supremo teria peso histórico — e poderia ajudar a reduzir a temperatura entre os Poderes.
O contraste ajuda a explicar a pressão. Hoje, o STF tem 11 ministros e apenas uma mulher, Cármen Lúcia. Em toda a história da Corte, só três mulheres foram nomeadas - Ellen Gracie, Rosa Weber e a própria Cármen Lúcia - nenhuma delas negra. Fora dali, o país é outro: pessoas negras e pardas são cerca de 56% da população, segundo o IBGE (Censo 2022).
No Planalto, por ora, silêncio. Lula ainda não decidiu se indica um novo nome agora ou se espera um momento mais seguro. Depois de duas derrotas seguidas, a cautela virou estratégia.


