Revés no Senado deixa Lula sob pressão por mulher no STF
Manifesto de juristas reacende debate sobre representatividade no Supremo, enquanto Planalto ainda não define substituto após derrota de Messias

A derrota de Jorge Messias no Senado abriu, na avaliação de juristas e políticos, uma nova janela para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indique uma mulher - preferencialmente negra - para o Supremo Tribunal Federal (STF).
O movimento ganhou força logo após a votação da última quarta-feira (29). Horas após o revés, a Plataforma Justa divulgou um manifesto defendendo maior representatividade na Corte e voltou a apresentar uma lista de nomes femininos para consideração do Planalto. O grupo já havia feito a mesma articulação em outubro, antes da escolha de Messias.
O argumento central é o de que a atual composição do Supremo ainda não reflete a diversidade da sociedade brasileira. No manifesto, o grupo afirma que a reivindicação por maior presença de mulheres, especialmente negras, “não nasce neste momento”, mas vem sendo construída por diferentes organizações desde a abertura da vaga anterior.
Diretora-executiva da Plataforma Justa, a advogada Luciana Zaffalon afirma que o cenário atual deve ser visto como uma oportunidade concreta de mudança. “O que surge agora é uma janela de oportunidade para que a gente tenha um avanço democrático, tanto para o STF quanto para a relação entre os poderes”, disse. Segundo ela, “ter uma mulher, sobretudo uma mulher negra, no STF seria um passo histórico de fortalecimento democrático” .
Zaffalon também avalia que uma eventual indicação pode ajudar a reduzir a tensão institucional.
“É um caminho de pacificação que vai além da estridência do momento atual. A gente está diante da possibilidade de corrigir um déficit histórico”, afirmou. “O Supremo hoje é constrangedoramente branco e masculino, e essa é uma oportunidade de enfrentar essa distorção.”
Pressão no Planalto
A pressão por uma mulher no STF já havia chegado ao entorno do presidente. Em novembro do ano passado, a primeira-dama Janja da Silva - principal entusiasta da ideia- externou que gostaria de ver uma mulher indicada para a vaga aberta com a aposentadoria antecipada de Luís Roberto Barroso, embora tenha ressaltado que a decisão cabe exclusivamente a Lula.
Por ora, no entanto, o Planalto ainda não sabe qual caminho seguir após a rejeição de Messias. A definição sobre uma nova indicação segue em aberto.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
