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Estratégia de Lula com evangélicos passa longe da Marcha para Jesus

Governo aposta em interlocução com alas moderadas e evita associação direta a evento marcado por forte presença conservadora

Por e 
Lula recebeu o Bispo Primaz Manoel Ferreira, o Bispo Samuel Ferreira e o deputado Federal Cezinha de Madureira
Lula se reúne com evangélicos no Planalto • Ricardo Stuckert / PR

Mesmo com o grande esforço recente do governo Lula para ampliar conexões com o eleitorado evangélico, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mais uma vez ficará fora da Marcha para Jesus, que acontece neste sábado (23), no Rio de Janeiro. A ausência é mais uma vez considerada, agora em um momento em que aliados do Planalto tentam fortalecer o diálogo com setores religiosos, especialmente diante da resistência histórica de parte dos evangélicos ao petista.

Oficialmente, Lula cumpre agenda no Rio voltada à saúde e ciência, com compromissos na Fiocruz durante a manhã e retorno previsto para Brasília no início da tarde. Nos bastidores, porém, integrantes próximos ao diálogo entre governo e evangélicos admitem que a Marcha não faz parte da estratégia de aproximação construída pelo Planalto. Uma fonte ligada ao grupo de interlocução com evangélicos afirmou à reportagem que "a gente não tem nada a ver com a Marcha”, sinalizando um distanciamento claro entre os setores evangélicos alinhados ao governo e a ala mais conservadora que tradicionalmente domina o evento. A avaliação é de que Lula busca conversar com lideranças evangélicas mais moderadas e institucionais, sem disputar diretamente espaço em ambientes fortemente associados à direita bolsonarista.

O próprio histórico do presidente reforça essa leitura. Lula nunca participou presencialmente da Marcha para Jesus, apesar de ter sancionado, em 2009, a lei que incluiu o evento no calendário oficial do país. Desde então, costuma enviar representantes e mensagens aos fiéis.

Por outro lado, o senador e pré-candidato à presidência da república Flávio Bolsonaro também não deve comparecer ao evento deste ano. A informação foi confirmada pela assessoria do parlamentar à repórter da Itatiaia, no Rio de Janeiro, Diana Rogers. A expectativa era de que Flávio participasse da Marcha em meio "a crise" causada pela divulgação de mensagens em que pede apoio financeiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para um filme sobre Jair Bolsonaro. Oficialmente, a justificativa é de compromissos em Brasília.

A 19ª edição da Marcha para Jesus do Rio deve reunir cerca de 300 mil pessoas no Centro da capital fluminense, com caminhada até a Praça da Apoteose e shows de artistas gospel.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

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Diana Rogers tem 34 anos e é repórter correspondente no Rio de Janeiro. Trabalha como repórter em rádio desde os 21 anos e passou por cinco emissoras no Rio: Globo, CBN, Tupi, Manchete e Mec. Cobriu grandes eventos como sete Carnavais na Sapucaí, bastidores da Copa de 2014 e das Olimpíadas em 2016.