Chefes da PF saem em defesa da corporação após tensão com Mendonça
Nota dos 27 superintendentes ocorre após atritos com o STF sobre investigações que envolvem Lulinha e defende independência da PF

Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram nesta quinta-feira (6) uma nota conjunta em apoio à direção da corporação e em defesa da independência das investigações, em um gesto de unidade interna em meio ao aumento da tensão com o gabinete do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal).
Sem citar Mendonça nominalmente, os chefes da PF nos 26 estados e no Distrito Federal afirmam que a atividade investigativa da instituição não pode ser submetida a interesses políticos, ideológicos ou pessoais e defendem a preservação da autonomia necessária à condução dos inquéritos.
“A atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”, diz a nota.
A manifestação ocorre após uma escalada no desgaste entre a PF e o gabinete de Mendonça em torno da condução do inquérito que investiga as fraudes no INSS.
A confusão ganhou escala quando a Polícia Federal pediu a abertura de frentes de investigação contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), por suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas a contratos da Dataprev e do Ministério da Saúde.
O gabinete de Mendonça passou a cobrar explicações sobre a condução dos procedimentos e uma suposta demora no avanço de diligências. A PF rejeita a existência de irregularidades e sustenta que as investigações seguem critérios técnicos.
Superintendentes fazem defesa da cúpula
A nota desta quinta explicita o respaldo dos superintendentes à direção da Polícia Federal.
No trecho final do documento, os 27 dirigentes afirmam conjuntamente sua “confiança na Direção da Polícia Federal” e defendem a preservação de uma corporação “forte, técnica, independente e fiel à sua missão institucional”.
Os superintendentes também afirmam que a autonomia não constitui uma prerrogativa dos integrantes da PF, mas uma garantia necessária para a aplicação da lei.
“Para o adequado exercício de sua missão constitucional, é indispensável a preservação da independência técnica das investigações e da autonomia administrativa necessária à gestão eficiente de seus recursos e prioridades institucionais”, afirma o documento.
Recado sobre críticas
Outro trecho da nota afirma que críticas fazem parte do ambiente democrático, mas estabelece um limite para questionamentos que, na avaliação dos dirigentes, busquem atingir a credibilidade das instituições.
“O debate público e as críticas legítimas são próprios da democracia, mas não quando voltados ao enfraquecimento da credibilidade e da confiança que a sociedade deposita nas instituições republicanas”, afirmam.
Apesar do contexto, os superintendentes evitam mencionar o STF ou Mendonça e não fazem referência direta aos episódios que provocaram o desgaste.
O texto concentra-se na defesa institucional da corporação e afirma que a credibilidade da PF foi construída por uma atuação baseada “exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico”.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio



