Dilma Rousseff: manter memória sobre golpe de 1964 é crucial para não repetir tragédia
Ex-presidente da República se manifestou na manhã deste domingo (31), dia que marca os 60 anos do golpe militar

A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) se manifestou neste domingo (31) sobre os 60 anos do golpe militar de 1964. Em publicação em rede social, ela disse que manter a memória e a verdade histórica sobre o episódio “é crucial para assegurar que essa tragédia não se repita”. A manifestação de Dilma acontece em meio a vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a atos sobre a ditadura militar.
A ex-presidente, deposta por impeachment em 2016, foi presa e torturada por suas atividades de militância política de esquerda durante o regime militar. Sua trajetória como ativista e sua posterior ascensão política foram influenciadas por essa experiência.
“Manter a memória e a verdade histórica sobre o golpe militar que ocorreu no Brasil há 60 anos, em 31 de março de 1964, é crucial para assegurar que essa tragédia não se repita, como quase ocorreu recentemente, em 8 de janeiro de 2023. Como tentaram agora, naquela época, infelizmente, conseguiram. Forças reacionárias e conservadoras se uniram, rasgaram a Constituição, traíram a democracia, e eliminaram as conquistas culturais, sociais e econômicas da sociedade brasileira. O presidente João Goulart, legitimamente eleito, foi derrubado e morreu no exílio”, escreveu Dilma, completando:
“No passado, como agora, a História não apaga os sinais de traição à democracia e nem limpa da consciência nacional os atos de perversidade daqueles que exilaram e mancharam de sangue, tortura e morte a vida brasileira durante 21 anos. Tampouco resgata aqueles que apoiaram o ataque às instituições, à democracia e aos ideais de uma sociedade mais justa e menos desigual. Ditadura nunca mais!”
Por determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o governo federal não organizou eventos para marcar a data dos 60 anos do golpe militar de 1964. Com a popularidade em queda, Lula preferiu evitar desagradar lideranças militares e grupos conservadores, dizendo que 1964 “faz parte do passado” e que não quer “remoer” os episódios da ditadura.
Com a orientação do Palácio do Planalto, os ministérios cancelaram ações, inclusive ato que previa um pedido de desculpas a vítimas e familiares de vítimas da ditadura.
“Eu não vou ficar remoendo, vou tentar tentar tocar esse país para frente. O que não posso é não saber tocar a história para frente, ficar remoendo sempre, remoendo sempre”, afirmou Lula em entrevista à Rede TV.
*Com informações do repórter Marcelo da Fonseca.
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É jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). Cearense criado na capital federal, tem passagens pelo Poder360, Metrópoles e O Globo. Em São Paulo, foi trainee de O Estado de S. Paulo, produtor do Jornal da Record, da TV Record, e repórter da Consultor Jurídico. Está na Itatiaia desde novembro de 2023.



