Belo Horizonte
Itatiaia

Dia de Minas: Zema cita ‘indignação e injustiça’ sobre demora para concluir acordo de Mariana

Governador citou as mineradoras Samarco, BHP e Vale ao falar sobre falta de reparação após rompimento de barragem em 2015

Por e 
Governador Romeu Zema cobrou uma definição sobre renegociação do acordo de Mariana • João Felipe Lolli/Itatiaia

O governador Romeu Zema (Novo) fez duras críticas às mineradoras Vale, Samarco e BHP durante seu discurso, na manhã desta terça-feira (16), nas celebrações do Dia de Minas, em Mariana. Ele criticou também a Fundação Renova e afirmou que a demora na conclusão de um novo acordo de reparação pelo rompimento da barragem do Fundão, em 2015, deixa o sentimento de “indignação e injustiça” para o povo mineiro.

“Estou aqui para falar sobre Justiça, sobre cuidado com as pessoas e sobre o futuro esperançoso que estamos construindo a muitas mãos. Tenho certeza de que nós compartilhamos o mesmo nó na garganta e a mesma indignação ao lembrar de cada família que perdeu um ente querido naquele fatídico 5 de novembro de 2015. Como mineiro, acredito que essa memória, ainda que carregada de tristeza, é nossa maior motivação para exigir justiça e mudanças concretas”, afirmou Zema.

O governador usou o exemplo do acordo de Brumadinho, fechado com a Vale após o rompimento da barragem do Córrego do Feijão em 2019, para comparar com a dificuldade em fechar o acordo em Mariana.

Acordo em negociação

No mês passado, as mineradoras apresentaram uma proposta para pagar R$ 140 bilhões como reparação. No entanto, a proposta prevê que os gastos já feitos pela Fundação Renova sejam contabilizados no total a ser pago, medida que tem sido criticada pelos entes públicos que participam das negociações.

“Não estamos pedindo nenhum favor às empresas Samarco, Vale e BHP, que devem ser responsabilizadas pela tragédia. Estamos exigindo o direito do povo mineiro de ser integralmente reparado pela responsabilidade dessas empresas por um ato que acabou com 19 vidas e deixou um dano ambiental gigantesco. Uma reparação digna é o mínimo a ser feito e não aceitamos nada menos do que isso. Finalmente estamos mais próximos de um acordo justo para Mariana”, continuou o governador.

Respostas

A reportagem da Itatiaia entrou em contato com a Fundação Renova e com a Vale. Veja o posicionamento de cada uma:

Fundação Renova

"A Fundação Renova informa que até maio de 2024 foram destinados R$ 36,56 bilhões às ações de reparação e compensação. Desse valor, R$ 14,44 bilhões foram para o pagamento de indenizações e R$ 2,85 bilhões em Auxílios Financeiros Emergenciais, totalizando R$ 17,29 bilhões em 444,4 mil acordos. Ações integradas de restauração florestal, recuperação de nascentes e saneamento estão acontecendo ao longo da bacia e visam à melhoria da qualidade da água.

Os distritos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu são uma realidade, com pessoas morando, comércios instalados, serviços de abastecimento de água e esgoto em operação, celebrações religiosas e manifestações culturais da comunidade regulares. Hoje, cerca de 80% dos imóveis em Novo Bento Rodrigues e Paracatu estão construídos, e 186 foram entregues às famílias. Ao todo, 557 casos (76%) foram solucionados nas modalidades de reassentamentos coletivo e familiar ou o pagamento de indenização."

Vale

Por meio de nota, a Vale informou que "como uma das acionistas da Samarco, segue engajada no processo de mediação conduzido pelo Tribunal Regional Federal da 6a Região (TRF6) e busca, junto às autoridades envolvidas, estabelecer um acordo que garanta a reparação justa e integral às pessoas atingidas e ao meio ambiente. A empresa reitera que as tratativas sobre o tema ocorrem exclusivamente no âmbito do processo de mediação, de acordo e em observância aos princípios norteadores desse tipo de método de solução de conflitos, sob a liderança do desembargador responsável pela condução do procedimento. A Vale reafirma seu compromisso com as ações de reparação e compensação relacionadas ao rompimento da barragem de Fundão, da Samarco".

Por

Mineiro de Urucânia, na Zona da Mata. Mestre em Comunicação pela Universidade Federal de Ouro Preto (2024), mesma instituição onde diplomou-se jornalista (2013). Na Itatiaia desde 2016, faz reportagens diversas, com destaque para Política e Cidades.

Por

Editor de Política. Formado em Comunicação Social pela PUC Minas e em História pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Já escreveu para os jornais Estado de Minas, O Tempo e Folha de S. Paulo.