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Déficit primário do Governo Central sobe para R$ 48,2 bilhões em junho

Resultado ficou acima do registrado no mesmo mês de 2025 e superou a expectativa do mercado; alta das despesas superou o crescimento das receitas

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Fachada do ministério da Fazenda.
Fachada do ministério da Fazenda. • Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Governo Central registrou um déficit primário de R$ 48,2 bilhões em junho, informou nesta quarta-feira (30) a Secretaria do Tesouro Nacional. O resultado reúne as contas do Tesouro Nacional, do Banco Central e da Previdência Social e representa uma piora em relação ao mesmo mês de 2025, quando o déficit havia sido de R$ 44,2 bilhões. O número também ficou acima da mediana das projeções do mercado, que esperava um déficit de R$ 45,3 bilhões.

O resultado primário corresponde à diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar o pagamento dos juros da dívida pública. Quando as despesas superam as receitas, o resultado é deficitário.

De acordo com o Tesouro Nacional, as receitas líquidas cresceram 10,3% em termos reais na comparação com junho do ano passado, impulsionadas principalmente pelo aumento da arrecadação de tributos administrados pela Receita Federal e pelas receitas com exploração de recursos naturais, como royalties do petróleo. Ainda assim, o crescimento não foi suficiente para compensar o aumento das despesas públicas.

Entre os fatores que elevaram a arrecadação estão o aumento da receita com Cofins, IPI, CSLL e o recolhimento do imposto sobre exportação de óleo bruto. Também contribuíram os maiores ingressos provenientes da comercialização de petróleo e gás natural da União.

Pelo lado das despesas, o Tesouro apontou crescimento dos gastos com ações de saúde, benefícios previdenciários, seguro-desemprego, pessoal e encargos sociais e créditos extraordinários destinados à subvenção do óleo diesel. Os reajustes concedidos ao funcionalismo público federal e a política de valorização do salário mínimo também influenciaram o aumento das despesas.

No acumulado do primeiro semestre, o déficit primário do Governo Central chegou a R$ 92,2 bilhões, frente a um resultado negativo de R$ 11,3 bilhões no mesmo período do ano passado. Segundo o Tesouro, a receita líquida cresceu 5,6%, enquanto as despesas avançaram 12,3% em termos reais, ampliando o desequilíbrio das contas públicas.

Apesar do resultado do semestre, o Relatório de Avaliação de Receitas e Despesas Primárias do terceiro bimestre mantém a previsão de um déficit primário de R$ 52 bilhões para todo o ano de 2026, considerando as exclusões previstas na legislação fiscal para o cumprimento da meta.

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Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.

 

 

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