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Debate no Rio com Paes, Motta, Ramagem, Amorim e Queiroz tem disputa por apoio de Bolsonaro

Candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro se encontraram para o primeiro debate eleitoral na noite de quinta-feira (8)

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Candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro: Eduardo Paes (PSD), Alexandre Ramagem (PL), Marcelo Queiroz (PP), Tarcísio Motta (PSOL) e Rodrigo Amorim (União Brasil)

O primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura do Rio de Janeiro, promovido nesta quinta-feira (8) pela TV Bandeirantes, foi marcado por disputas pela imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e uso do nome do governador Cláudio Castro (PL) como forma de ataque.

O debate contou com a participação dos cinco candidatos melhor colocados nas pesquisas eleitorais: Eduardo Paes (PSD), Alexandre Ramagem (PL), Rodrigo Amorim (União Brasil), Tarcísio Motta (PSOL) e Marcelo Queiroz (PP).

Candidato à reeleição, o atual prefeito Eduardo Paes foi o principal alvo de críticas dos demais quatro participantes do programa. Ele se defendeu dos ataques e não mencionou sua aliança política com o presidente Lula (PT) durante o debate.

O deputado federal Alexandre Ramagem, nas apresentações iniciais, se apresentou como o candidato de Bolsonaro. Rodrigo Amorim, deputado estadual, fez o mesmo, além de reverenciar ao vereador Carlos Bolsonaro (PL) e afirmar prestar continência à família do ex-presidente.

"Bolsonaro sabe fazer sua equipe técnica, que o auxiliou. E eu vou levar esse conceito comigo, com Bolsonaro ao meu lado, com pessoas técnicas, para fazer o melhor pelo Rio", disse Ramagem, no terceiro bloco.

Ambos se referiram diversas vezes ao prefeito como "soldado de Lula", em referência a uma conversa telefônica entre o presidente e Paes gravada durante as investigações da Operação Lava Jato e divulgada em 2016.

Ramagem, sorteado para fazer a primeira pergunta, questionou Paes sobre uma suposta ausência de ações da prefeitura na segurança pública.

O prefeito listou algumas ações do município, mas focou sua resposta em vincular o candidato do PL a Castro e ao ex-governador Wilson Witzel, afastado sob acusação de corrupção e retirado do cargo em processo de impeachment, em 2021.

"O Rio de Janeiro vive uma crise de segurança profunda, não só na cidade do Rio de Janeiro, mas em toda a região metropolitana [...] O que acha de indicação política para comando das polícias de seu padrinho Claudio Castro?", questionou Paes.

Castro tem reprovação de 46% dos eleitores da cidade, e aprovado por apenas 14%, segundo pesquisa Datafolha divulgada há um mês. Ramagem disse que não conhece Witzel, mas não defendeu a atuação de Castro.

"O eleitor do Lula vai perceber que a gente não vai esconder o presidente Lula da nossa campanha como outros candidatos vão fazer", disse ele.

Paes chegou a mencionar Lula uma vez. Afirmou estabelecer parcerias administrativas, mas não reivindicou seu apoio. Ao criticar a alegada falta de apoio de Castro às prefeituras, ele afirmou que "a gente aqui trabalha em parceria com o governo federal".

"O Lula é do Partido dos Trabalhadores e eu do PSD. Trabalhamos em conjunto buscando dar soluções para os problemas da nossa cidade", disse ele.

Diferente de Paes, Tarcísio Motta fez ataques frontais a Bolsonaro durante o debate. O candidato do PSOL questionou Ramagem sobre como atuará nas campanhas de vacinação e criticou a atuação do ex-presidente durante a pandemia da Covid-19.

"Não sei se você acredita que a vacina faz as pessoas virarem jacaré, se elas causam outras doenças. Mas imagino que a teoria conspiratória que você mais gosta é aquela que [a vacina] tem um chip de espionagem, porque de espionagem ilegal você entende", disse, em referência à investigação da Polícia Federal do caso conhecido como "Abin paralela".

Ramagem defendeu o ex-presidente e afirmou que ele disponibilizou vacinas para a população e "salvou os mais pobres" durante a pandemia, em referência ao auxílio emergencial.

O deputado federal Marcelo Queiroz buscou se apresentar como uma "opção longe dos extremos". "A minha candidatura vai abrigar o melhor da direita e da esquerda."

Queiroz afirmou que Paes vai renunciar em abril de 2026 para concorrer ao governo estadual. Ele sugeriu ao presidente da Câmara Municipal, Carlo Caiado (PSD), a abertura de processo de impeachment contra Paes e o vice, Eduardo Cavaliere (PSD), caso sejam eleitos e o prefeito deixe o cargo.

Houve outras provocações pontuais. Amorim chamou Paes de "filho ingrato" do ex-governador Sérgio Cabral, condenado em mais de 20 processos por corrupção.

O deputado do União Brasil, por sua vez, foi chamado de "Padre Kelmon carioca" por Tarcísio Motta, em razão de sua dobradinha com Ramagem nas interações ao longo do debate.

Em resposta, Amorim falou que o candidato do PSOL "é tão chato que até o Marcelo Freixo não te aguentou e foi embora", em referência à saída do ex-deputado do PSOL — Freixo atualmente está no PT, preside a Embratur e apoia Paes.

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Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.