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STF suspende condenação de Romero Jucá e afasta inelegibilidade

Decisão de Flávio Dino saiu horas antes do fim do prazo para registro e libera ex-senador para disputar as eleições de 2026

PorBrasília
Romero Jucá teve os efeitos da condenação suspensos pelo STF horas antes do fim do prazo para registro de candidaturas.
Romero Jucá teve os efeitos da condenação suspensos pelo STF horas antes do fim do prazo para registro de candidaturas. • Agência Brasil

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu os efeitos da condenação do ex-senador Romero Jucá (MDB-RR) a nove anos, dez meses e 15 dias de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A decisão foi publicada neste sábado (15), e também suspende os efeitos da inelegibilidade decorrente da condenação.

Dino determinou ainda que o processo seja analisado pelo próprio STF. O ministro considerou que o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), responsável pela condenação, não teria competência para julgar o caso.

Com a decisão, Jucá fica, por enquanto, em condições de disputar as eleições de 2026. O ex-senador vinha sendo apresentado como candidato a deputado federal por Roraima. A decisão ocorre justamente no último dia do prazo para o registro das candidaturas.

O ministro determinou que o TRF-1 envie informações sobre o processo ao Supremo no prazo de dez dias. Depois, o caso deverá ser encaminhado para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). A decisão de Dino ainda precisa ser analisada pela Primeira Turma do STF.

A condenação de Jucá ocorreu no TRF-1 e teve como base acusações relacionadas à Operação Lava Jato. Segundo a acusação, o ex-senador teria recebido R$ 150 mil da Odebrecht para atuar em favor da empresa durante a tramitação de medidas provisórias de interesse da empreiteira.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República, o dinheiro teria sido registrado formalmente como doação para a campanha de Rodrigo Jucá, filho do ex-senador, mas teria como destinatário final Romero Jucá. A operação foi considerada parte de um esquema de lavagem de dinheiro.

Em nota, a defesa de Romero Jucá comemorou a decisão do Supremo e afirmou que as medidas adotadas pelos tribunais “restabelecem a justiça e a verdade”. Os advogados sustentam que o ex-senador já tinha sido absolvido em primeira instância e afirmam ter convicção de sua inocência.

Além da decisão de Dino, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já concedeu uma liminar favorável a Jucá. O ministro Messod Azulay Neto suspendeu os efeitos da inelegibilidade decorrentes da condenação do TRF-1.

Com as duas decisões, os efeitos da condenação ficam suspensos enquanto as questões sobre a competência para julgar o processo são analisadas. A eventual candidatura de Jucá, portanto, ainda depende do andamento das decisões judiciais e do julgamento definitivo do caso.

Por, Repórter

João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.

 

 

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