Belo Horizonte
Itatiaia

De volta ao Brasil, Lula enfrenta novo desgaste com governo Trump

Expulsão de delegado da Polícia Federal após prisão de Alexandre Ramagem mobiliza governo por reação recíproca

Por
Os presidentes do Brasil, Lula (esq.), e dos Estados Unidos, Donald Trump (dir.)
Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (esq.), e dos EUA, Donald Trump (dir.) • Agência Brasil e Casa Branca

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou, na madrugada desta quarta-feira (22), em Brasília, após um giro de cinco dias pela Europa, com agendas na Espanha, na Alemanha e em Portugal. No retorno à capital federal, o petista terá que lidar com uma nova tensão na relação com o governo dos Estados Unidos. 

Na segunda-feira (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental, do Departamento de Estado americano, divulgou uma mensagem na qual diz ter pedido que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo deixe o país. Ele foi o responsável pelo monitoramento que resultou na prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, na sigla em inglês).

“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, diz a nota, publicada no perfil do órgão no X.

Ao ser questionado por jornalistas na terça-feira (21), Lula criticou a decisão do governo de Donald Trump e disse que pode adotar a reciprocidade no caso, com a expulsão de agentes americanos que atuam no Brasil. 

“Eu não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa. Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil", declarou.

A situação também foi discutida em uma reunião entre diplomatas do Ministério das Relações Exteriores com a encarregada de Negócios da Embaixada dos Estados Unidos, Kimberly Kelly.

Por

Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.