Lula fala em 'abuso' após EUA pedirem que delegado da PF deixe o país
Segundo o presidente, agentes americanos que atuam no Brasil também serão expulsos por reciprocidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu, nesta terça-feira (21), ao pedido do governo dos Estados Unidos para que o delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo deixe o país após ter monitorado o ex-deputado federal Alexandre Ramagem, preso pelo Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE, na sigla em inglês).
Em uma fala a jornalistas ao deixar Hanôver, na Alemanha, o petista afirmou não ter ciência do que aconteceu, mas disse que pode expulsar agentes americanos no Brasil.
Eu não sei o que aconteceu. Fui informado hoje de manhã. Acho que se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil. Não tem conversa. Ou seja, nós queremos que as coisas aconteçam da forma mais correta possível, mas nós não podemos aceitar essa ingerência, esse abuso de autoridade que algumas personagens americanas querem ter com relação ao Brasil", declarou.
Na noite de segunda-feira (20), o Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo dos Estados Unidos divulgou uma mensagem na qual diz ter pedido que o delegado Marcelo Ivo deixe o país.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso”, diz a nota, publicada no perfil do órgão no X.
Em portaria de 17 de março, publicada no Diário Oficial da União, o diretor-geral da PF, Andrei Passos, já havia designado a delegada Tatiana Alves Torres para atuar como oficial de ligação no ICE em Miami, na Flórida, em substituição a Ivo.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.



