Criticada por Lula e Flávio, Meta recebeu quase R$ 10 milhões das campanhas
Candidatos intensificam estratégias digitais no segundo turno, com diferenças no volume de publicações, no discurso e no alcance dos conteúdos; Atuação de apoiadores e decisões do TSE ampliam o peso das plataformas na eleição.

As redes sociais se consolidaram como uma das principais frentes da disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Além de divulgar propostas e pedir votos, os dois candidatos usam as plataformas digitais para confrontar o adversário, mobilizar apoiadores e tentar conquistar eleitores indecisos.
Um levantamento feito pela Itatiaia apontou que o Facebook/Meta recebeu mais de R$ 7 milhões para impulsionamento de postagens do senador Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência da República. Já no lado do PT, foram pagos mais de R$ 2 milhões de reais para impulsionar postagens de Lula.
Recentemente, a campanha de Lula denunciou possíveis restrições ao alcance de publicações favoráveis ao presidente e diferenças no funcionamento da inteligência artificial da Meta. Flávio Bolsonaro também entrou no processo, alegando prejuízos à própria candidatura.
Além disso, foram analisadas 2.129 publicações dos perfis oficiais de Lula e Flávio Bolsonaro no Instagram entre 1º de janeiro e 14 de outubro, a medida identificou mudanças nas estratégias dos candidatos ao longo da campanha. No segundo turno, Lula passou a mencionar o adversário com mais frequência, enquanto Flávio manteve o foco em pedidos de voto e mensagens de confronto.
O presidente aumentou o volume de publicações e mudou o tom das mensagens. No segundo turno, o nome de Flávio Bolsonaro aparece em 20% das legendas de Lula, enquanto a palavra “Bolsonaro” está presente em 26% das publicações.
A mobilização também ganhou espaço no discurso do petista. Expressões de convocação dos eleitores, como “bora”, passaram a aparecer com mais frequência, e o fim da escala de trabalho 6x1 tornou-se uma das bandeiras exploradas nas redes.
Segundo o levantamento, Lula publicou, em média, 10,3 vezes por dia durante a campanha oficial, ritmo mais de três vezes superior ao de Flávio no segundo turno, quando o senador publicou cerca de 2,4 vezes por dia.
Flávio Bolsonaro mantém uma estratégia concentrada em vídeos, pedidos de voto e críticas ao adversário. No segundo turno, o termo “vote” aparece em 54% das publicações do senador, enquanto “vencer” está presente em metade dos posts analisados.
Embora publique menos, Flávio registra alcance expressivo por publicação. No segundo turno, os vídeos típicos dos dois candidatos alcançaram médias próximas: cerca de 6,9 milhões de reproduções para o senador e 6,5 milhões para o presidente.
Os números mostram que a disputa digital não depende apenas da quantidade de conteúdo publicado, mas também da capacidade de cada postagem de circular e gerar interação.
Justiça Eleitoral acompanha a disputa nas plataformas
O peso das redes sociais também colocou as empresas de tecnologia e a distribuição de conteúdo no centro das discussões eleitorais. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou que a Meta, responsável pelo Instagram, Facebook e WhatsApp, comprove o cumprimento de medidas destinadas a garantir tratamento igualitário às campanhas de Lula e Flávio.
A decisão ocorreu após questionamentos sobre o alcance de conteúdos políticos nas plataformas. A empresa atribuiu os problemas apontados a falhas técnicas, enquanto as denúncias seguem sob análise da Justiça Eleitoral.
A uma semana do segundo turno, marcado para 25 de outubro, a disputa pela atenção dos eleitores ocorre simultaneamente nas ruas, na propaganda eleitoral e no ambiente digital. Nesse cenário, o alcance das publicações, a mobilização de apoiadores e as regras para circulação de conteúdo se tornaram componentes importantes da campanha presidencial.
João Pedro Melo é jornalista, formado pelo UniCEUB. Tem mais de dez anos de experiência na cobertura de Congresso Nacional, Palácio do Planalto e Supremo Tribunal Federal. Teve passagens pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação como repórter de política na TV e no rádio.



