Caso Master: CPI do Crime aprova quebra de sigilos de Zettel e de 'Sicário' de Vorcaro
Governador Eduardo Leite não compareceu à comissão; empresário João Carlos Mansur prestou depoimento e optou por permanecer em silêncio

A CPI do Crime Organizado ouviu nesta quarta-feira (11), no Senado, o empresário João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag Investimentos, em meio às investigações relacionadas ao caso Banco Master. Durante a oitiva, que durou menos de uma hora, Mansur fez uma breve declaração inicial e afirmou que seguiria a orientação de permanecer em silêncio diante dos questionamentos dos parlamentares.
Antes de encerrar sua manifestação, o empresário defendeu a atuação da empresa e afirmou que a gestora adotava padrões elevados de governança: “A Reag sempre escolheu o mais alto nível de governança. Nós administrávamos cerca de 700 fundos e tínhamos um conselho independente e operações transparentes”, declarou.
A Reag aparece nas investigações da Polícia Federal por administrar fundos que, segundo os investigadores, teriam sido utilizados para inflar artificialmente o patrimônio do Banco Master, instituição controlada pelo banqueiro Daniel Vorcaro. A gestora acabou sendo liquidada pelo Banco Central no início deste ano.
O depoimento também estava previsto para contar com a presença do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, mas ele não compareceu à sessão. Segundo informações apresentadas à comissão, o governador alegou compromissos previamente assumidos na agenda oficial.
Durante a reunião desta quarta-feira, os senadores também aprovaram uma série de requerimentos relacionados ao avanço das investigações. Entre eles, está a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, apontado nas investigações como aliado do banqueiro.
Também foram aprovadas quebras de sigilo de empresas citadas nas apurações, como Varajo Consultoria, Participações Imobiliárias e King Locação de Veículos. De acordo com as investigações, a Varajo teria sido utilizada para o pagamento de propinas ao servidor do Banco Central Belline Santana, em um esquema intermediado pelo advogado Leonardo Palhares.
Entre as medidas está o convite para que autoridades prestem esclarecimentos à comissão. Foram convidados os ministros do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva.
A comissão também aprovou um pedido de informações à Polícia Federal sobre a Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à instituição.
As investigações da comissão se concentram em possíveis irregularidades envolvendo o Banco Master e em suspeitas de uso do sistema financeiro para operações ligadas a corrupção, lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.



