O conselho de administração dos Correios aprovou, na manhã deste sábado, o empréstimo de R$ 20 bilhões que servirá de base para o plano de reestruturação da estatal. A operação será concedida por um sindicato formado por cinco instituições financeiras: Banco do Brasil, Citibank, BTG Pactual, ABC Brasil e Safra, segundo informou a Folha de S.Paulo.
O crédito terá garantia do Tesouro Nacional, mecanismo que transfere ao governo federal a responsabilidade pelos pagamentos caso a empresa não consiga arcar com as parcelas. Esse aval foi decisivo para a conclusão da negociação, que avançou após flexibilização das exigências impostas pelos bancos.
A taxa de juros ficou próxima de 136% do CDI, nível ligeiramente inferior à proposta inicial, mas ainda considerado elevado. Na primeira rodada, as instituições financeiras chegaram a exigir contrapartidas incomuns para operações com aval soberano, como lucro mínimo garantido e recebíveis futuros dos Correios. Essas condições foram suavizadas na etapa final das tratativas.
Parte dos recursos será usada para quitar uma dívida de R$ 1,8 bilhão contraída pela estatal no primeiro semestre, da qual BTG Pactual, Citibank e ABC Brasil já são credores. O Safra ingressou no grupo na segunda rodada de negociações.
A aprovação do empréstimo ocorre em meio ao agravamento da situação financeira da empresa. Os Correios acumulam prejuízos desde 2022, e apenas entre janeiro e setembro deste ano o saldo negativo chegou a R$ 6,1 bilhões. Para os bancos, a liberação dos recursos está diretamente vinculada ao plano de reestruturação, tratado como fundamental para reverter a trajetória de perdas e recuperar competitividade em um mercado dominado por empresas privadas de logística e comércio eletrônico.
O governo deve editar um decreto e uma portaria interministerial para formalizar o aval do Tesouro e autorizar juridicamente a operação. A assinatura do contrato deve ocorrer após a publicação dos atos, liberando o dinheiro para a fase mais robusta do plano de reestruturação.