Conversas confirmam o uso de jatinho de Vorcaro por Jaques Wagner
O ex-banqueiro acompanhou os trâmites da viagem em tempo real e pediu discrição, inclusive com o cuidado no hangar que a aeronave pousou

A Polícia Federal (PF) encontrou, no celular de Daniel Vorcaro, mensagens sobre o transporte, em um jatinho de sua propriedade, do senador Jaques Wagner (PT-BA), de seu assessor e de outros passageiros ligados a ele. Em uma das conversas, a empresa responsável pela operação, a Berg, confirma os nomes das pessoas que embarcariam. Em seguida, o ex-banqueiro reforça a orientação para que a viagem fosse realizada de forma discreta.
A conclusão consta de documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal (STF), na quinta-feira (30), na Operação Compliance Zero.
A principal preocupação do dono do extinto Banco Master era evitar que o hangar utilizado para o pouso, na Bahia, fosse identificado. Em uma das mensagens, ele recomenda que a aeronave fosse posicionada em um local mais reservado. Em resposta, é informado de que o avião seria estacionado em outro ponto, diferente do inicialmente previsto, para dificultar a localização.
Vorcaro também reforça o cuidado com orientações como: "coloca em algum [lugar] que não dará conversa fiada", "algum que ninguém conheça", "e tira o avião rápido de lá", "de volta pra cá" e "nem apaga o motor".
O diálogo, ocorrido em setembro de 2024, mostra que o ex-banqueiro acompanhou, em tempo real, a operação conduzida pela empresa responsável pelo voo. Além de orientar como a viagem deveria ocorrer, ele monitorou as etapas de embarque, desembarque e permanência da aeronave no destino. Em outro momento, questionou o atraso do voo e foi informado de que um dos passageiros já havia seguido para casa de táxi.
"O conteúdo do diálogo demonstra preocupação evidente em reduzir a exposição da aeronave e da movimentação dos passageiros, sugerindo a adoção de medidas voltadas à realização do transporte da forma mais discreta possível", afirma o relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Defesa
Nesta sexta-feira (31), o parlamentar afirmou que está confiante de que conseguirá comprovar sua inocência nas investigações que apuram sua relação com o Banco Master.
Segue a nota na íntegra:
“Tenho certeza de que vou provar minha inocência”, diz Wagner sobre Master
O senador relembrou que, em 2018, também em ano eleitoral, ocorreu episódio semelhante no qual acabou inocentado
O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou ter “certeza de que vai provar sua inocência” em meio às investigações que ligam seu nome ao Banco Master. Em entrevista à Rádio Baiana FM, nesta sexta-feira (31), Wagner reiterou que está “tranquilo” e que seu foco está voltado para as eleições de outubro. “O inquérito evidentemente demora um tempo. Agora, estou de olho na eleição, temos dois meses para ela acontecer, e sábado vai ser a nossa convenção com a presença do Lula”, disse.
Wagner lembrou que episódio semelhante ocorreu em 2018, também em ano eleitoral, quando foi candidato ao Senado Federal pela primeira vez. “Na época, era sobre a Fonte Nova. Abriram o inquérito, fizeram aquele barulho e, depois, eu não fui nem indiciado. Foi arquivado o processo, mas é óbvio que fica o prejuízo”, reconheceu o senador.
Durante a conversa, o senador citou uma frase do próprio ministro André Mendonça, na qual ele afirma que a investigação pode confirmar ou afastar hipóteses investigativas. Wagner pontuou também que as instituições responsáveis precisam ter liberdade para atuar. “A Polícia Federal que faça o seu trabalho, investigue, proponha ao Ministério Público, o Ministério Público avalie e o magistrado vai julgar. Como diz o presidente Lula, ‘Galego, só quem sabe o que você fez é você mesmo’ - eu sei o que eu fiz e estou tranquilo”, finalizou.
Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.



