Veja o que diz relatório da Meta sobre falhas na moderação durante eleições
Comitê independente afirma que empresa precisa reforçar transparência e consistência na aplicação das regras para proteger a integridade eleitoral e a liberdade de expressão

O Conselho de Supervisão da Meta divulgou nesta terça-feira (20) uma avaliação sobre a atuação da empresa na moderação de conteúdo durante processos eleitorais e apontou a existência de falhas recorrentes na aplicação de suas políticas. O relatório analisa casos ocorridos em diferentes países, incluindo as eleições brasileiras, e conclui que a empresa precisa aperfeiçoar seus mecanismos para garantir transparência, consistência e proteção à participação política.
Entre os episódios citados está a restrição técnica que atingiu contas de anúncios da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Segundo o conselho, a falha acabou gerando acusações de interferência eleitoral e deveria ter sido encaminhada para análise por uma equipe especializada da própria Meta.
O documento também menciona a remoção da conta "No Kings", ligada a ativistas políticos nos Estados Unidos, durante manifestações realizadas antes das eleições legislativas americanas. Para o colegiado, os sistemas internos da empresa deveriam ter identificado rapidamente o erro e adotado medidas para evitar que a conta permanecesse restrita.
Na avaliação do Conselho de Supervisão, a Meta apresenta dois problemas recorrentes em períodos eleitorais de maior polarização: em alguns casos, aplica suas regras de forma excessivamente rigorosa, restringindo manifestações políticas legítimas; em outros, a moderação é insuficiente, o que pode comprometer a integridade do processo eleitoral.
O órgão também afirmou que não ficou claro por que a conta "No Kings" não foi incluída no programa de verificação cruzada da empresa, mecanismo que garante análise humana antes da remoção de perfis considerados relevantes para o debate público.
Além disso, o conselho informou que já havia recomendado à Meta a criação de indicadores para medir a eficácia de suas ações de proteção à integridade eleitoral. Embora a empresa tenha assumido, em 2025, o compromisso de ampliar a liberdade de expressão e reduzir erros na moderação, o colegiado concluiu que ainda há um longo caminho para que essas promessas sejam efetivamente cumpridas.
Aline Pessanha é jornalista, com Pós-graduação em Marketing e Comunicação Integrada pela FACHA - RJ. Possui passagem pelo Grupo Bandeirantes de Comunicação, como repórter de TV e de rádio, além de ter sido repórter na Inter TV, afiliada da Rede Globo.


