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Comunidade destaca geração de empregos e projetos sociais em debate sobre mineração na ALMG

Por meio de uma carta aberta, eles convidaram representantes do MPMG e da Comissão de Meio Ambiente da ALMG para conhecerem as ações em Casa Branca

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Sede da Associação do Bairro Jardim Casa Branca • Divulgação / Associação do Bairro Jardim Casa Branca

Em meio às discussões na Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais(ALMG), moradores das comunidades de Casa Branca, Jangada e Jardim Casa Branca, entregaram carta às autoridades pedindo que o debate também considere os impactos sociais positivos promovidos na comunidade. O documento destaca que cerca de 700 pessoas são beneficiadas por projetos apoiados pela Itaminas e pelo Instituto ItaViva, envolvendo atividades esportivas, culturais, educacionais e ações voltadas para famílias em situação de vulnerabilidade.

Os moradores ouvidos pela Itatiaia reconhecem os impactos causados pela mineração, mas afirmam que as contrapartidas da empresa têm contribuído para transformar a realidade local. Presidente da Associação de Moradores de Casa Branca, Anderson Oliveira, de 54 anos, afirmou que o apoio da mineradora possibilitou a retomada de um projeto social que atende aproximadamente 300 crianças com aulas de jiu-jitsu, balé e atividades circenses. Segundo ele, a iniciativa havia perdido patrocínio após o rompimento da barragem da Vale e voltou a funcionar em 2022, após a chegada da Itaminas.

O advogado Igor Thomaz, de 31 anos, que cresceu na comunidade, ressaltou a importância das ações sociais para crianças e adolescentes da região. Ele também defendeu que a discussão sobre mineração leve em consideração a geração de empregos e o fortalecimento da economia local. "A mineração tem 40 anos que está dentro de Casa Branca. O impacto existe, é traumático. Os danos foram causados pelo rompimento da barragem em 2019. A gente tem o impacto da quantidade de veículos que passam pela Casa Branca, mas vieram as contrapartidas, essa questão das atividades, que começou após o rompimento", lembra.

Outro exemplo citado foi o trabalho desenvolvido por Diego Almeida, morador de Casa Branca e responsável por um projeto social de futebol mantido há mais de dez anos. Atualmente, a iniciativa atende mais de 100 crianças e adolescentes da comunidade. "Nós da comunidade tínhamos projetos sociais no galpão do Jardim Casa Branca. Com o apoio da Itaminas e da ItaViva, esses projetos sociais foram potencializados. Nossas crianças não tinham transporte para participar das oficinas, agora nós temos. Além de que esses projetos sociais tiram as crianças da rua", pontua.

Ele diz que é preciso considerar a geração de emprego e renda na região. "Não é apenas minerar, mas a gente tem que levar em consideração a questão dos empregos que surgem em Casa Branca e Brumadinho", acrescenta. Diego Almeida é morador e tem um projeto social há mais de 10 anos em Casa Branca. Segundo ele, sempre buscou ajuda para manter a iniciativa. Hoje, a ação que ele coordena oferece aulas de futebol para mais de 100 crianças. "Não posso falar só do projeto que eu cuido, ligado ao futebol, mas de tudo que a gente tem visto acontecer ao nosso redor. Vários projetos que tinham dificuldade de continuar receberam apoio da Itaminas. Alguns que atendiam poucas crianças cresceram de forma organizada e alcançam mais crianças", disse.

Além dos projetos sociais, a carta menciona melhorias em infraestrutura promovidas na região, como manutenção de estradas, ações de abastecimento de água, revitalização de espaços públicos e apoio a atividades comunitárias. Os moradores afirmam que a intenção do documento não é ignorar a necessidade de fiscalização ambiental, mas mostrar que a comunidade também deseja participar das discussões sobre o futuro da mineração no distrito.

Em nota, a Itaminas informou que a Mina da Jangada integra a trajetória da empresa desde 1974 e que a retomada das operações ocorre dentro da legalidade. Segundo a mineradora, as licenças ambientais foram oficialmente transferidas para a empresa em 2025, com certificação da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), permanecendo válidas. A companhia também afirmou que busca desenvolver ações além das obrigações legais e citou reconhecimento recebido em um fórum da ONU realizado recentemente em Barcelona.

Leia a carta na íntegra

"CARTA ABERTA DOS MORADORES DO DISTRITO DE CASA BRANCA
Casa Branca, Brumadinho/MG, 26 de maio de 2026.

O distrito de Casa Branca, em Brumadinho/MG, reúne localidades como Casa Branca, Jangada e Jardim Casa Branca, com forte identidade comunitária, relação com a natureza e presença histórica da mineração. É um território de comunidades próximas, marcado por memórias sensíveis, vida local ativa, organização social e participação em projetos comunitários.

Somos todos moradores de Casa Branca. Entre as pessoas que assinam esta carta estão lideranças da Associação de Moradores, professores de projetos sociais, mães que levam os filhos para treinar todos os dias, pessoas que fazem zumba, participam das atividades, contam com a cesta básica quando precisam ou levam os pais idosos para a hidroginástica. Nós vivemos aqui, conhecemos as pessoas pelo nome, sabemos das preocupações da comunidade e das coisas boas que acontecem dentro dela. É por isso que estamos escrevendo esta carta hoje.

Casa Branca não esquece a tragédia que aconteceu em 25 de janeiro de 2019, quando perdemos familiares, amigos e vizinhos. Essa dor não passa, quem mora aqui carrega isso todos os dias. Por isso, quando alguém fala de mineração na nossa região, nós ficamos atentos. E entendemos que qualquer conversa sobre Casa Branca precisa começar pela escuta de quem vive aqui, conhece essa história, sente os impactos e entende a importância que essa atividade tem para muitas famílias. Esses assuntos não podem ser deixados de lado. Eles precisam ser conversados sempre, com respeito, transparência e, principalmente, com a escuta de quem mora na comunidade. Entidades, organizações e representantes externos podem participar do debate, mas não podem substituir a voz de quem vive aqui, conhece a nossa realidade e sabe que a mineração não pode ser tratada de forma genérica, como se todas as empresas, todos os territórios e todas as comunidades vivessem a mesma realidade.

Antes mesmo da Itaminas iniciar a operação da Mina da Jangada, o Instituto ItaViva já estava presente apoiando Casa Branca e a Comunidade da Jangada. Hoje a gente vê o resultado e colhe frutos desse trabalho na comunidade. Não estamos falando de promessa de empresa, mas de ações que acontecem toda semana. Nossas crianças treinam jiu-jitsu, vôlei e futebol, fazem ginástica artística, capoeira e balé. Os jovens, além de praticarem esportes, participam de projetos de música, aulas de arte e circo. As mulheres se encontram no projeto Mulheres em Movimento. Os idosos fazem hidroginástica, yoga e pilates no Vida Ativa. Famílias que precisam recebem cesta básica e quem ainda não tem carteira de motorista conta com o apoio do CNH Social.

Se antes ninguém era atendido, hoje mais de 700 pessoas caminham junto com os projetos do ItaViva, que crescem a cada dia com a participação da própria comunidade. São pessoas da nossa convivência, nossos vizinhos, familiares, gente que conhecemos pelo nome. Isso também precisa ser dito quando se fala do retorno da mineração para o distrito de Casa Branca.

Além dos projetos do ItaViva, também existem ações diretas da Itaminas que fazem diferença no distrito e precisam ser reconhecidas. A empresa realiza a manutenção do trevo da Alberto Flores, faz doações e plantio de mudas, fornece e bombeia água para a comunidade e vem realizando obras de infraestrutura que atendem todo o distrito. Inclusive atendeu uma demanda antiga dos moradores: a iluminação do campo de futebol de Casa Branca. São ações concretas, que aparecem no dia a dia e mostram que a presença da empresa no território não pode ser resumida apenas ao medo ou à desconfiança.

Esses projetos não substituem o acompanhamento da mineração. Nada substitui. A comunidade precisa continuar atenta, cobrando segurança, transparência e responsabilidade. Mas também não dá para fingir que essas ações não existem. Elas fazem parte da nossa rotina, chegam às nossas famílias e mudam a vida de muita gente daqui. Quem fala de Casa Branca e Jangada sem reconhecer isso está falando de uma comunidade pela metade, não do distrito de Casa Branca real.
Queremos deixar três coisas registradas neste momento:

Primeiro: nós apoiamos que o assunto da mineração seja discutido. Queremos transparência, queremos respeito ao meio ambiente fiscalização rigorosa e queremos que a comunidade participe diretamente das conversas que dizem respeito ao lugar onde vivemos. Isso não é favor. É nosso direito. E é também uma exigência de quem conhece a história desse território e sabe o peso que esse tema tem para Casa Branca.

Segundo: a relação da nossa comunidade com a Itaminas foi construída com o tempo. Não é uma relação distante, feita só de documento ou discurso. É uma relação direta, com rosto, nome, conversa, reunião, cobrança e presença. Nós não falamos em nome da empresa. Falamos em nosso nome, da nossa comunidade e daquilo que vivemos aqui todos os dias. Por isso, quando alguém quiser falar sobre Casa Branca, pedimos uma coisa simples: escute primeiro quem mora em Casa Branca.

Terceiro: convidamos o Ministério Público e os deputados da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa a virem aqui em Casa Branca. Venham conhecer a Associação de Moradores, os projetos, nossas escolas, nossas famílias e a realidade da comunidade. O debate em Belo Horizonte é legítimo e importante, mas tem coisa que não aparece em audiência, relatório ou fala de gabinete. Tem coisa que só se entende caminhando pelas ruas onde as pessoas vivem, olhando nos olhos de quem mora aqui e ouvindo a história de quem convive com nossa realidade todos os dias.

Comunidade e Moradores de Casa Branca"

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