Comissão do Senado adia votação da PEC das Praias após pedido de governistas
Texto discutido na CCJ prevê a autorização para a venda dos terrenos de marinha a empresas e pessoas que já estejam ocupando a área

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado adiou nesta quarta-feira (4) a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que pode privatizar as praias, a chamada PEC das Praias.
O presidente do colegiado, Davi Alcolumbre (União-AP), concedeu vista coletiva (mais tempo para análise) aos senadores governistas do parecer favorável do relator, Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O texto discutido no Senado prevê a autorização para a venda dos terrenos de marinha a empresas e pessoas que já estejam ocupando a área. Pela proposta, os lotes deixariam de ser compartilhados, entre o governo e quem os ocupa, e teriam apenas um dono, como um hotel ou resort.
Em maio, houve uma tentativa de votação da PEC, mas a pressão de celebridades e ambientalistas contrários ao texto adiou a análise.
A PEC foi proposta em 2011 pelo ex-deputado federal Arnaldo Jordy (Cidadania-PA) e aprovada em 2022 pela Câmara com o apoio dos Estados e municípios litorâneos.
Essa delimitação remonta ao Brasil Império, em 1831, e também inclui rios e lagos afetados pelas marés. Os lotes correspondem a 48 mil quilômetros em linha reta e representam 70% das áreas sob posse do governo federal.
Hoje, a União, como proprietária dos terrenos de marinha, pode conceder o uso e até a transmissão dessas terras aos herdeiros, mediante o pagamento de impostos específicos por parte dos empreendimentos.
Repórter de política em Brasília. Formado em jornalismo pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), chegou na capital federal em 2021. Antes, foi editor-assistente no Poder360 e jornalista freelancer com passagem pela Agência Pública, portal UOL e o site Congresso em Foco.



