Com repercussão da venda de presentes por Cid, deputados governistas querem CPI das Joias
Autor do pedido, deputado Rogério Correia quer conquistar apoio para instaurar a CPI a partir da próxima segunda-feira (14)

A base do governo na Câmara tenta ressuscitar a ideia de uma CPI para investigar o suposto esquema de venda ilegal de joias recebidas como presente durante viagens oficias do governo Bolsonaro.
A ideia ganhou força após a operação da Polícia Federal desta terça-feira, que teve como alvos aliados do governo do ex-presidente.
Assinaturas escanteadas
O recolhimento de assinaturas para a instauração da comissão começou em meados de abril, quando o caso das joias recebidas por Michelle Bolsonaro da Arábia Saudita vieram à tona.
Mas com as negociações para a instalação da CPMI do 8 de janeiro, a CPI das Joias ficou de escanteio até esta semana, quando a repercussão das investigações da PF mostraram a venda de um relógio Rolex pelo ex-ajudante de ordens tenente-coronel Mauro Cid retomou o debate.
Busca por apoio
A ideia do autor do pedido, deputado Rogério Correia (PT-MG) é conversar com os parlamentares e ir conquistando apoio para instaurar a CPI a partir da próxima segunda-feira (14). Até o momento, são 108 assinaturas; o mínimo para protocolar uma CPI é de 171.
“A gente já sabia que tinha mais coisas a serem reveladas do que só o caso da Michelle, que foi o fato que originou nosso pedido. Acredito que agora, com o escândalo revelado nesta semana, vamos conseguir reunir todas as assinaturas”, afirmou Correia.
O caso é muito grave e envolve um ex-presidente, ex-primeira-dama e muitos militares. É um escândalo
Rogério Correia
Venda de relógio
A operação da PF deflagrada nesta quinta-feira aponta que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), tenente-coronel Mauro Cid, vendeu por US$ 68 mil (cerca de R$ 346 mil pela cotação atual do dólar) um relógio Rolex que era da Presidência da República, recebido como presente da Arábia Saudita. Segundo a PF, a venda aconteceu em junho do ano passado, nos Estados Unidos.
Os investigadores dizem que provas colhidas apontam que Mauro Cid viajou de Miami a Willow Grove, na Pensilvânia, para ir a uma loja de relógios e “efetivou a venda do relógio que integrava o kit ouro branco presenteado ao ex-presidente Jair Bolsonaro”.
Após a venda, sustenta a PF, Cid depositou o valor da venda na conta do pai dele, o general Mauro Lourena Cid. A PF, no inquérito, revela que o então advogado de Jair Bolsonaro, Frederick Wassef, foi o responsável pela recompra do objeto valioso, entregue posteriormente ao patrimônio da União.
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