'Cid precisa esclarecer o conteúdo daquelas mensagens', diz chefe da AGU após áudios vazados
Em BH, Jorge Messias afirmou que conteúdo de gravações é grave; militar terá de depor nesta sexta-feira (22)

O ministro-chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, disse, nesta sexta-feira (22), que o ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), Mauro Cid, tem de “esclarecer” o conteúdo de áudios vazados nessa quinta-feira (21). Na gravação, ele afirma ter sido coagido a delatar Bolsonaro e faz críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
À Itatiaia, durante participação em evento na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte, sobre o combate à desinformação, Messias avaliou o caso como grave.
“Tenho, já, informações de que ele foi chamado pelo Poder Judiciário para prestar esclarecimentos. Acho muito grave. Ele (Cid) precisa esclarecer, de fato, o conteúdo daquelas mensagens. Mas é um tema que deve ser esclarecido - e certamente será - pelo competente trabalho que a Polícia Federal e o Poder Judiciário têm feito nesse caso”, afirmou o chefe da AGU.
“Me parece que é um risco que ele corre (poder perder a delação). Cabe a ele demonstrar que não”, assinalou.
O que diz Cid nos áudios?
Ao criticar Moraes, Cid chega a afirmar que o ministro “é a lei”.
Em um dos áudios, em Cid faz críticas ao ministro Alexandre de Ele prende, ele solta quando quiser, como ele quiser, com Ministério Público, sem Ministério Público, com acusação, sem acusação”, diz.
Em outro trecho, ele acusa agentes da PF de acuá-lo.
“Eles já estão com a narrativa pronta, eles não queriam que eu dissesse a verdade, eles queriam só que eu confirmasse a narrativa deles. Entendeu? É isso que eles queriam. E toda vez eles falavam: ‘Olha, a sua colaboração está muito boa’. Tipo assim, ele até falou: ‘Vacina, por exemplo, você vai ser indiciado por 9 negócios de vacina, 9 tentativas de falsificação de vacina, vai ser indiciado por associação criminosa e mais um termo lá. Só essa brincadeira são 30 anos pra você’. “Eu vou dizer pelo que eu senti: eles já estão com a narrativa pronta deles, é só fechar. E eles querem o máximo possível de gente para confirmar a narrativa deles. É isso que eles querem”.
Em nota, o advogado de Mauro Cid, Cezar Bittencourt, protestou contra a divulgação de gravações que, segundo ele, são particulares. A alegação é que as falas foram feito em tom de desabafo a um amigo.
“Os referidos áudios divulgados pela revista Veja, ao que parecem clandestinos, não passam de um desabafo em que relata o difícil momento e a angústia pessoal, familiar e profissional pelos quais está passando, advindos da investigação e dos efeitos que ela produz perante a sociedade, familiares e colegas de farda, mas que, de forma alguma, comprometem a lisura, seriedade e correção dos termos de sua colaboração premiada firmada perante a autoridade policial, na presença de seus defensores constituídos e devidamente homologada pelo Supremo Tribunal Federal nos estritos termos da legalidade”, lê-se no comunicado.
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Graduado em Jornalismo, é repórter de Política na Itatiaia. Antes, foi repórter especial do Estado de Minas e participante do podcast de Política do Portal Uai. Tem passagem, também, pelo Superesportes.
Tem mais de 27 anos de experiência jornalística, como gestor de empresas de comunicação em Minas Gerais. Já foi editor-chefe e apresentador de alguns dos principais telejornais do Estado em emissoras como Record, Band e Alterosa, além de repórter de rede nacional. Foi editor-chefe do Jornal Metro e também trabalhou como assessor de imprensa no Senado Federal, Tribunal de Justiça de Minas Gerais e no Sesc-MG. Na Itatiaia, onde está desde abril de 2023, André é repórter multimídia e apresentador.




