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Celso Amorim afirma que indicação de embaixador americano no Brasil tem motivação eleitoral

De acordo com o assessor chefe do Itamaraty, a condução da indicação foi “totalmente contrário às regras internacionais” e “bizarra”

PorBrasília
Celso Amorim entra nas negociações com Egito por resgate de brasileiros em Gaza
Celso Amorim entra nas negociações com Egito por resgate de brasileiros em Gaza • CNN Brasil

Após ser acusado pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CREDN) da Câmara dos Deputados, Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), de não manter “relações pragmáticas” e permitir que a “vaidade” e a “ideologização” se sobreponham às negociações com o governo dos Estados Unidos da América (EUA), o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que foi “absurda” a forma como o governo norte-americano indicou o republicano Daniel Perez para o cargo de embaixador americano.

O assunto surgiu porque o assessor afirmou que a indicação é um dos motivos para a atual situação do aumento das tensões diplomáticas entre os governos brasileiro e norte-americano nos últimos meses.

Amorim compareceu à CREDN nesta quarta-feira (12) para prestar esclarecimentos sobre a resposta do Itamaraty à comissão sobre o debate nos Estados Unidos pela possibilidade de enquadrar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Na época, os parlamentares convocaram a autoridade do ministério das relações exteriores porque consideraram genéricas as respostas da pasta sobre o tema.

O assessor chefe afirmou que o procedimento adotado pelos Estados Unidos para indicar o embaixador foi “totalmente contrário às regras internacionais” e classificou a situação como “bizarra”, por não ter seguido o tratamento técnico esperado.

“Primeiro, eles deram publicidade antes da concessão do agrément e, talvez mais grave, eles prosseguiram com o processo dentro do Senado americano sem ter o agrément brasileiro. Este é um comportamento totalmente contrário às regras internacionais”, afirmou.

Ainda segundo o assessor, a forma a condução do processo não teria sido por acaso e estaria relacionada a interesses eleitorais.

"Logo que saiu o governo [Joe] Biden, o embaixador saiu e ficou um ano e meio [sem ninguém no posto]. O Brasil parecia que não tinha importância, ficava aqui o encarregado de negócios", lembrou.

A indicação do embaixador foi feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A nomeação foi feita pelo governo norte-americano, mas depende do aval oficial (agrément) do governo brasileiro para que o diplomata possa assumir o posto em Brasília.

Como forma de pressionar pela aprovação da indicação o Departamento de Estado dos Estados Unidos revogou o visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi anunciada no início deste mês, e a justificativa apresentada foi a demora do governo brasileiro em conceder o agrément a Perez.

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Formada em jornalismo pela Universidade de Brasília (UnB), tem cinco anos de experiência na comunicação política. Desde a reportagem, no Correio Braziliense, até a assessoria parlamentar. Em 2024, atuou em campanha eleitoral majoritária. Especialista em gerenciamento de crise e construção de imagem. Na Itatiaia, escreve para o portal, em Brasília.

 

 

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