Itatiaia

Caso Marielle: Ex-chefe da Polícia Civil presta depoimento à PF nesta segunda-feira

Rivaldo Barbosa, apontado como um dos mandantes do crime, será ouvido pelos investigadores após implorar ao ministro Alexandre de Moraes

Por
Foto mostra Rivaldo Barbosa
Rivaldo Barbosa foi chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro • Fernando Frazão/Agência Brasil

A Polícia Federal ouve nesta segunda-feira (3) o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Rivaldo Barbosa, que pediu, literalmente, pelo amor de Deus, para ser ouvido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Ele está preso desde o dia 24 de março, quando foi apontado pelos investigadores como um dos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes em 2018.

Barbora era o chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro e foi nomeado para o cargo um dia antes do assassinato da vereadora. A sua participação no crime foi apontada por Ronnie Lessa, miliciano contratado pelos irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, para executar a morte da política rival.

Conforme apontado pelo depoimento de Lessa, o ex-chefe da Polícia teria participado previamente do crime, ou seja, discutido com os mandantes o assassinato os termos da morte de Marielle, e posteriomente ao crime, ajudando a encobrir as provas e retardar a investigação que começaram logo após o assassinato, em março de 2018.

“Ao Exmo. Ministro, por misericórdia, solicito que V.Exa. faça os investigadores me ouvirem, pelo amor de Deus”, escreveu Barbosa em um bilhete entregue a um oficial de justiça em Brasília.

“Marielle se tornou, portanto, a principal opositora e o mais ativo símbolo da resistência aos interesses econômicos dos irmãos. Matá-la significava eliminar de vez o obstáculo e, ao mesmo tempo, dissuadir outros políticos do grupo de oposição a imitar sua postura”, escreveu o Hindemburgo Chateaubriand, vice-procurador-geral da República, na denúncia encaminhada ao STF.

Foram responsabilizados pelo duplo homicídio o conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro Domingos Brazão, o deputado federal Chiquinho Brazão, Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior e Ronald Paulo de Alves Pereira.

O que diz a defesa

A defesa de Rivaldo Barbosa aponta que ele nunca teve contato com supostos mandantes do crime e que não há registro de recebimento de valores provenientes de atos ilícitos. Os advogados também criticam a atuação da Polícia Federal, dizendo que o relatório da investigação se baseia somente no depoimento de Ronnie Lessa, assassino confesso, e sem provas concretas.

Por

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

Belo Horizonte