Belo Horizonte
Itatiaia

Câmara aprova projeto que prevê taxação de offshores e fundos exclusivos de investimento

Taxação dos fundos de investimento no Brasil e no exterior auxiliará o governo a cumprir a meta fiscal prevista, analisou o ministro Haddad

Por
Presidente Arthur Lira (PP-AL) pautou votação do PL das offshores e dos fundos exclusivos de investimento após troca na presidência da Caixa
Presidente Arthur Lira  • Zeca Ribeiro | Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (25) o Projeto de Lei (PL) que prevê a cobrança de tributos sobre os fundos offshore e os fundos exclusivos de investimento — apelidados "fundos dos super-ricos". A matéria relatada pelo deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) agora seguirá para o Senado Federal. O texto tramita no Congresso Nacional há dois meses enviado pelo Governo Federal por meio de uma Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A cobrança de impostos sobre esses dois modelos de fundos de investimento é, segundo o governo, uma estratégia para elevar a arrecadação da União e garantir o cumprimento da meta fiscal estabelecida pelo Ministério da Fazenda de zerar o déficit das contas públicas em 2024. O ministro Fernando Haddad calcula que a arrecadação será elevada em cerca de R$ 20 bilhões com a taxação das offshores e dos fundos dos super-ricos. Além da aprovação do projeto, o governo também conta com a mudança na lei do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf).

Acordo. O Projeto de Lei foi pautado e votado horas após o presidente Lula demitir Rita Serrano da presidência da Caixa Econômica Federal e alocar no cargo um funcionário de carreira indicado pelo PP, partido do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL).

O que são os fundos dos super-ricos? Os fundos exclusivos ou fechados são aplicações financeiras que exigem um investimento mínimo de R$ 10 bilhões. As transações são feitas por pessoas físicas, jurídicas ou aglutinadas em um grupo. A legislação brasileira atual prevê que esses fundos só serão tributados no momento do resgate do valor investido. Ou seja, o investidor não paga impostos sobre a quantia até que ela seja retirada da aplicação. Esses fundos, entretanto, levam décadas até serem resgatados.

A nova regra, que ainda precisa passar pelo Senado e pela sanção do presidente Lula, determina uma cobrança semestral de impostos sobre os fundos fechados.

Por

Repórter de política em Brasília. Na Itatiaia desde 2021, foi chefe de reportagem do portal e produziu série especial sobre alimentação escolar financiada pela Jeduca. Antes, repórter de Cidades em O Tempo. Formada em jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais.