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BR-381: processo de reassentamento de famílias está dentro do esperado, diz ministro do TCU

Ministro Antonio Anastasia afirmou que principais entraves para andamento da obra de duplicação foram resolvidos

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Trecho da BR-381 • Imagens cedidas à Itatiaia

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), Antônio Anastasia, afirmou nesta sexta-feira (24), em entrevista à Itatiaia, que o processo de reassentamento das famílias às margens da BR-381, entre Belo Horizonte, Santa Luzia e Sabará, está seguindo os processos esperados e devem avançar nos próximos meses.

De acordo com ele, o relator do caso na Corte, Jorge Oliveira, afirmou aos colegas que "estava tudo dentro dos cânones esperados". "Estamos muito otimistas também que isso vai acontecer. É uma obra que o próprio governo, a União fará essa parte aqui, introdutória, para depois termos a duplicação completa e sepultarmos de vez essa ideia de rodovia da morte", disse Anastasia.

O acordo entre o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (DNIT) e a prefeitura de Belo Horizonte foi homologado em novembro do ano passado, encerrando um empasse de mais de uma década que dificultava o avanço da duplicação no trecho considerado o mais complexo da rodovia.

O documento, assinado pelo Executivo da capital mineira e o DNIT com anuência do TCU e do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF6), prevê a permuta de uma área para a construção de moradias do programa Minha Casa, Minha Vida. Em entrevista para a Itatiaia no inicio deste mês, o presidente do TRF6, afirmou que o acordo de reassentamento deve ser concluído ainda no fim deste ano.

Parceria com o setor privado

Nesta sexta-feira (24), o ministro Antônio Anastasia participou, em Belo Horizonte, de um encontro com empresários promovido pela ACMinas. "Toda a sociedade mineira reivindica, de fato, já há muitos anos, a melhoria, a duplicação da rodovia dita, infelizmente, como 'Rodovia da Morte'. Existiam alguns entraves. O principal talvez fosse a questão da dificuldade de identificar um parceiro privado para fazer a obra, tendo em vista o risco geológico grave que tínhamos ali naquela região. Isso foi superado com a decisão que o TCU, nesse caso, de maneira pioneira deu, autorizando a mitigação do risco", declarou.

A novela da BR-381

Em maio do ano passado, o TCU determinou que a prefeitura de Belo Horizonte deveria apresentar um projeto para garantir o reassentamento das famílias que vivem às margens da BR-381 dentro dos limites da capital mineira. O Tribunal entrou no processo para mediar um conflito entre o município e o DNIT, que já se arrastava há mais de dez anos.

Isso porque em 2012, o Departamento repassou R$ 4,9 milhões (R$ 12,4 milhões em valores corrigidos) para Belo Horizonte comprar terrenos e reassentar as famílias da BR-381. A área foi adquirida nas imediações dos bairros Belmonte, São Gabriel e Ouro Minas, mas nunca foi utilizada com fins habitacionais.

O terreno adquirido pela prefeitura, que ficou sem função social ao longo dos anos, foi ocupado por outras famílias de fora ao programa de reassentamento da BR-381.

Com o reassentamento não resolvido e as verbas enviadas para a capital mineira, o DNIT iniciou um processo judicial de Tomada de Contas Especial para receber os valores de volta. Com o impasse, a Justiça Federal, já atuante nos programas de reassentamento, assumiu o papel de conciliação entre a autarquia e o município.

O reassentamento de todas as famílias que ocupam o espaço é uma das principais dificuldades em se iniciar as obras de duplicação da rodovia.

Em agosto do ano passado, a BR-381 entre Belo Horizonte e Governador Valadares foi privatizada após dois anos consecutivos de leilões desertos, sem nenhum interessado na concessão do trecho da estrada conhecido como 'Rodovia da Morte'. O grande diferencial para atração da iniciativa privada para o processo foi uma alteração no projeto que retirou o trecho de cerca de 30 quilômetros entre a capital mineira e Caeté dos planos de obras.

O trecho mais próximo à Região Metropolitana de Belo Horizonte era tratado como um inibidor da iniciativa privada por dois pontos centrais:

  • Um deles é a instabilidade geológica da região, o que torna as obras de engenharia mais arriscadas.
  • O outro é a insegurança jurídica atrelada à necessidade de remoção das famílias que vivem às margens da rodovia, mais densamente concentradas nos arredores de BH.
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Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, com passagem pela Rádio UFMG Educativa. Na Itatiaia, já foi produtora de programas da grade e repórter da Central de Trânsito Itatiaia Emive.

 

 

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