Bolsonaro diz não ‘condenar’ integrantes do PL que se reuniram com Flávio Dino
Ex-presidente diz que o partido está fechado contra a indicação de Dino para o STF no Senado, mas que, eventualmente, um ou outro parlamentar poderá abrir conversar com o Ministro

Em evento do Partido Liberal (PL) realizado nesta terça-feira (12) em Brasília, o ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a comentar a indicação do ministro da Justiça, Flávio Dino, para o Supremo Tribunal Federal (STF). O atual presidente de honra do PL fez críticas à indicação de Lula, mas poupou aliados de partido que estiveram conversando com Dino nas últimas semanas.
“Ninguém vai condenar um colega nosso que, porventura, tenha conversado com ele. O voto é secreto e a gente sabe como vai ser o voto de muita gente lá dentro”, disse Bolsonaro, que afirma ter questão fechada dentro do PL contra a indicação do ministro.
Dentro da ala bolsonarista no Congresso Nacional, o nome de Dino encontra fortíssima rejeição, tanto pela atuação do Governo Federal no dia 8 de janeiro - quando apoiadores do ex-presidente Bolsonaro atacaram as sedes dos Três Poderes - quanto pela posição do ministro de responder às provocações feitas por parlamentares do grupo ao longo do ano.
Mesmo diante desse cenário, Dino tem buscado dialogar com senadores - mesmo de oposição - antes de ser sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Entre os nomes da oposição estão senadores do PL, como Carlos Portinho (PL-RJ).
Segundo Bolsonaro, a indicação acentua a posição política do STF e acirra ainda mais os ânimos com a oposição. “O que nós queremos é um Supremo que realmente tenha pessoas lá que não se inclinem partidariamente para um lado ou para o outro, coisa que nós sabemos que o Flávio Dino não age dessa maneira”, descreveu.
Os senadores que integram a Comissão de Constituição e Justiça sabatinam na próxima quarta-feira (13) o ministro Flávio Dino e o sub-procurador Paulo Gonet, que buscam aprovação para o Supremo Tribunal Federal e para a chefia da Procuradoria-Geral da República (PGR), respectivamente. Os dois serão sabatinados ao mesmo tempo, e em uma mesma sessão marcada para começar às 9h. A expectativa é que, se aprovadas na CCJ, as indicações sejam submetidas à avaliação do plenário do Senado Federal ainda na quarta-feira.
Inelegível
O ex-presidente também mirou seus ataques nesta terça-feira (12) ao Tribunal Superior Eleitoral, que o tornou inelegível em duas ocasiões. De acordo com o Bolsonaro, pessoas próximas ainda têm a esperança de que ele volta a disputar as eleições, mas indicam que este não é o momento para tentar reverter a situação na Corte Eleitoral.
“Acho que ninguém entende o motivo da inelegibilidade. Reunir-se com embaixadores? Falar de urnas eletrônicas? Eu sempre defendi o voto impresso desde 2012. É uma questão de inelegibilidade ou julgamento politiqueiro? Politiqueiro. E alguns me falam: o clima, o humor do TSE não tá favorável ainda. Ué, é assim que deve se comportar um juiz? Se eu não gosto de você eu voto contra? Por questão do 7 de Setembro, colocar o Luciano Hang do teu lado. ‘Ah, mas ele é cabo eleitoral’, ué? Queria que eu botasse quem do meu lado, quem não fosse votar em mim?”, questiona o ex-presidente.
Na última condenação, em novembro deste ano, a Corte Eleitoral viu irregularidades na conduta dos eventos do Bicentenário da Independência, em setembro do ano passado. Para os ministros, houve uso eleitoral das cerimônias públicas, no Rio e em Brasília.
Antes, em julho, Bolsonaro já havia sido condenado pela prática de abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante reunião realizada no Palácio da Alvorada com embaixadores estrangeiros no dia 18 de julho do ano passado.
Em ambos os julgamentos, Bolsonaro foi condenado a inelegibilidade de 8 anos, podendo retornar às urnas somente a partir das eleições de 2030, previstas para o dia 6 de outubro. Para que Bolsonaro seja liberado a concorrer antes disso, vai precisar, a partir de recursos, derrubar as duas condenações que o tornaram inelegível, e não apenas uma.
Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio
