AGU se manifesta contra ação de PT e PSOL sobre referendo da privatização da Copasa
Órgão do governo federal entendeu como improcedente a ação movida pelos partidos questionando a constitucionalidade da derrubada da exigência de um referendo para a venda da companhia de saneamento

A Advocacia Geral da União (AGU) se manifestou contra a ação movida por PT e PSOL no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a emenda à Constituição de Minas Gerais que eliminou a exigência de um referendo popular para autorizar a privatização da Copasa. Em documento enviado na terça-feira (9) ao relator do caso, o ministro Luiz Fux, o órgão do governo federal apontou que a mudança nas leis mineiras ocorreu dentro dos padrões constitucionais.
Segundo o entendimento da AGU, a Constituição Federal não exige a realização de referendo ou plebiscito como condição para a privatização de empresas estatais. Portanto, as constituições estaduais são livres para estabelecer ou retirar essa previsão de seus textos.
O órgão federal também aponta que a supressão do referendo não viola a soberania popular nem as cláusulas pétreas da Constituição Federal justamente pelo aspecto de não existir uma previsão de plebiscito ou referendo para definir o futuro de companhias estatais.
O fim do referendo foi aprovado na Assembleia em novembro do ano passado e a decisão não foi bem aceito por membros da oposição na Casa. PT e PSOL acionaram o STF questionando a constitucionalidade da medida a partir de argumentos como a proibição prevista na Constituição Federal da supressão de direitos. Na lógica dos partidos, derrubar a exigência da consulta popular representa a retirada de um direito adquirido pelos mineiros sobre o futuro das estatais.
Em maio deste ano, no âmbito da ADI no STF, a ALMG também se manifestou a favor da legalidade da mudança na Constituição de Minas Gerais pela derrubada do referendo. Segundo o Legislativo Estadual, Minas vive uma crise persistente com um estoque elevado de dívidas, e a renegociação desse passivo exige a utilização de ativos estatais como mecanismo de amortização.
A privatização da Copasa está nos estágios finais, com as ações do Governo de Minas já listadas na bolsa de valores. No início deste mês, o Grupo Equatorial se tornou o investidor de referência no processo de venda da companhia de saneamento assumindo o controle de 30% da empresa.
A privatização da Copasa
No segundo semestre de 2025, a privatização da Copasa foi debatida e aprovada na Assembleia no âmbito do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). O projeto permite que unidades da federação endividadas com a União possam parcelar o pagamento do débito em até 30 anos com a redução dos juros apenas ao índice da inflação.
Para conseguir os benefícios do Propag, o Governo de Minas precisou aprovar um pacote de projetos junto à Assembleia, o que inclui a privatização de ativos estatais para conseguir quitar parte da dívida e viabilizar os investimentos exigidos no programa. A dívida de Minas com a União ultrapassa a marca dos R$ 200 bilhões.
A polêmica do referendo
Em 2001, o então governador Itamar Franco conseguiu, junto à Assembleia, a aprovação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que exige a realização de um referendo popular para a autorização ou não da privatização das estatais de energia (Cemig), saneamento (Copasa) e gás natural (Gasmig). A medida era uma resposta às iniciativas privatistas de seu antecessor, Eduardo Azeredo (PSDB).
A previsão do referendo permaneceu na Constituição Mineira como um empecilho a outras tentativas de privatização das empresas estatais. O então governador Romeu Zema (Novo) enviou uma nova PEC à Assembleia, desta feita para retirar a exigência da consulta popular, em 2023. O texto ficou parado na Casa por quase dois anos até ser resgatado e viabilizado no âmbito do Propag.
Em novembro, as votações que culminaram na aprovação da PEC foram históricas na Assembleia, com direito à única sessão de plenário do século marcada para a madrugada no primeiro turno. A segunda votação foi definida com grande tumulto, com a validade do voto decisivo aferida a partir do circuito interno de Câmeras da Casa.
Repórter de política da Itatiaia, é jornalista formado pela UFMG com graduação também em Relações Públicas. Foi repórter de cidades no Hoje em Dia. No jornal Estado de Minas, trabalhou na editoria de Política com contribuições para a coluna do caderno e para o suplemento de literatura.



