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'Abraço', prints e câmeras de segurança: veja detalhes da ação do MP sobre compra de votos em Esmeraldas

Ministério Público ajuizou representação contra vereadora de Esmeraldas, Prefeito e vice por compra de votos

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Conversas extraídas de celulares apreendidos e imagens de câmeras de segurança ajudaram o MP a entender o suposto esquema de compra de votos em Esmeraldas (MG) • Reprodução / Representação do MPMG

A representação do Ministério Público contra a vereadora mais votada de Esmeraldas, o Prefeito e o vice-prefeito eleitos por suposta compra de votos detalha como funcionava o esquema que beneficiaria os três.

O MP representou à Justiça Eleitoral contra eles e mais três pessoas, entre elas o filho da vereadora, pedindo a cassação dos diplomas dos eleitos e a aplicação de multas a todos pela prática. A Justiça ainda não julgou a ação. Veja todos os representados:

Pagamento de R$50 a R$100 pelo voto

De acordo com a representação, Pedro Augusto de Souza Ferreira seria o responsável por negociar votos para Ivanete e para a chapa de Prefeito e Vice em visitas presenciais a eleitores e também com uso do celular, por meio de aplicativos como WhatsApp e Instagram. No aparelho dele, que foi apreendido pela polícia, a perícia encontrou mensagens em que o MP identificou "explícita compra de votos".

Os votos estariam sendo negociados por valores entre R$50,00 e R$100,00. Pedro ainda pedia, segundo a investigação, que os eleitores enviassem o comprovante de votação. Assim seria possível comparar o total de comprovantes à votação em determinada seção eleitoral.

Em um dos diálogos destacados, Pedro oferece R$50,00 pelo voto de uma eleitora, que faz contraproposta no valor de R$500,00. O negociador retruca: "Para de gracinha, R$ 50,00 tá no limite”. Essa mesma eleitora afirmou, em depoimento à Polícia, que Pedro Augusto ficou preocupado com o teor das mensagens trocadas entre eles após as eleições, depois que o celular dele foi apreendido pela polícia.


Prints de conversas entre um dos representados do MP e uma eleitora

'Abraço' no lugar de voto

Nas conversas entre Pedro Augusto e eleitores, o 'voto' é chamado de 'abraço'. A um deles, o representado teria enviado uma mensagem dizendo que 'tem uma lista de pessoas que ganhariam abraço'.

Em outra, um contato é compartilhado com o recado "chama ela aí ou se precisa de um abraço no dia lá".


Mensagens mostram a palavra 'abraço', que significaria 'voto' de acordo com representação do MP

Beneficiários

Para o MP, Pedro Augusto e seu pai, Wanderson Ferreira, seriam os executores das compras de voto, enquanto Ivanete Silva, Welligton Adriano Silva e Gustavo Henrique Machado seriam os "autores intelectuais, coordenadores e financiadores" do esquema.

A promotora afirma, na representação, que eles compunham "uma verdadeira associação criminosa apta para a prática, às escâncaras, de diversas infrações criminais e de ilícitos eleitorais". Para embasar essa conclusão, a promotoria aponta que:

  • Pedro Augusto seria funcionário fantasma do gabinete de Gustavo Henrique Machado, e receberia um salário para realizar ações de campanha, o que estaria em desacordo com a legislação.
  • Wellington teria cedido um veículo registrado em nome de sua esposa para que Pedro Augusto e Wanderson realizassem as atividades ligadas à compra de votos. Câmeras de segurança da rua da casa deles registraram 15 passagens do veículo pelo local em um único dia.
  • No dia das eleições, a casa de Pedro Augusto e Wanderson registrou a entrada e saída de pelo menos 117 pessoas no dia da eleição.

A participação de Wellington

“As provas anexas deixam claro que o requerido Wellington é contumaz em práticas similares, na medida que se utiliza de pessoas interpostas para executar atos ilícitos. Merece destaque o fato de que o nome de urna da requerida Ivanete é exatamente “Ivanete mãe do Wellitin”. Welligton, que possui anotações criminais, verificando dificuldades em se candidatar, lança a candidatura da mãe, pessoa desconhecida da população e sem qualquer expressão política. Trata-se de candidata de fachada, já que o mentor de toda campanha e posteriormente pretenso exercente do cargo de vereador seria Wellington. Os abusos no período de campanha, reflexo da compra de votos arquitetada pelo filho Wellington, renderam frutos, já que Ivanete foi a 2ª vereadora mais votada da cidade, mesmo nunca tendo sido candidata ou conhecida dos eleitores. Claramente a compra de votos aqui noticiada conseguiu atingir os fins pretendidos.

Trecho extraído do relatório do Ministério Público de MG

O que pede o Ministério Público

A promotoria pede que a Justiça receba a representação, notifique os envolvidos, aceite as provas apresentadas e outras que ainda não estão prontas, como quebras de sigilo bancário e de dados e informações extraídas de telefones celulares.

A promotoria pede, também, que várias pessoas que aparecem as trocas de mensagem de supostas compras de voto sejam ouvidas como testemunhas.

Ao pedir que a representação seja julgada procedente, o MP pede a cassação do registro ou do diploma dos representados eleitos - ou seja, a vereadora, o prefeito e o vice.

O que dizem os representados

A Itatiaia entrou em contato com os representados, mas ainda não obteve resposta. A reportagem será atualizada caso eles se posicionem.

*Com reportagem de Edson Costa e Bruno Favarini.

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Coordenadora de jornalismo digital na Itatiaia. Jornalista formada pela UFMG, com mestrado profissional em comunicação digital e estratégias de comunicação na Sorbonne, em Paris. Anteriormente foi Chefe de Reportagem na Globo em Minas e produtora dos jornais exibidos em rede nacional.

 

 

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