Itatiaia

‘Imposto do pecado’ penaliza cerveja, mas alivia ao poupar ultraprocessados

Proposta de sobretaxar itens nocívos à saúde e ao meio ambiente também incluie veículos poluentes e refrigerantes, mas é críticada ao isentar salgadinhos e biscotios cancerígenos e ligados à obesidade

Por
Escolha foi feita por grupo multidisciplinar de especialistas • Marcelo Camargo/Agência Brasil

Na contramão da promessa de simplificação e isenção de impostos, um item em específico na proposta de Reforma Tributária, apresentada ontem no Congresso Nacional, pretende tornar alguns produtos mais caros, com alta carga tributária. É o imposto seletivo, que tem sido chamado de ‘imposto do pecado’, que cria alíquotas de tributação acima da média para produtos nocivos à saúde e à natureza que vão desde a cerveja até o minério extraído.

Leia mais: Entenda como vai funcionar o cashback de impostos proposto na Reforma Tributária

O imposto seletivo será aplicado sobre itens como cigarros, bebidas alcoólicas, bebidas açucaradas, veículos poluentes e a extração de minério de ferro, petróleo e gás natural. A intenção é que produtos e serviços que causem danos à saúde pública e ao ecossistema tenham uma tributação mais elevada em comparação com outros setores da economia.

"O presente Projeto especifica os produtos sobre os quais o Imposto Seletivo incidirá, bem como a forma pela qual se dará a tributação sobre cada categoria de produto. As alíquotas a serem aplicadas serão definidas posteriormente por lei ordinária", afirma o texto do projeto.

Um dos pontos criticados na Reforma Tributária é a ausência dos alimentos ultraprocessados na categoria de produtos taxados pelo ‘imposto do pecado’. A categoria de alimentos neste segmento inclui biscoitos, massas de bolo, salgadinhos, carnes embutidas e outros. A intenção do governo com essa tributação é desestimular o consumo desses produtos.

Pesquisas científicas recentes apontam que a ingestão desses alimentos é o principal fator para o aumento da obesidade, sobretudo em crianças. Além disso, esse alimentos aumentaram significativamente o risco de câncer colorretal nos homens, bem como um risco maior de doenças cardíacas e morte precoce em homens e mulheres.

A ausência deles na lista seletiva de impostos contrariou a recomendação de entidades ligadas à área da saúde, como o Conselho Nacional de Saúde, que neste mês recomendou a inclusão dos ultraprocessados na lista de produtos sobretaxados, além do próprio Ministério da Saúde, que também defendeu a taxação de alimentos ultraprocessados na Reforma Tributária.

Por

Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio

 

 

Belo Horizonte