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Agenda de Lula no Egito é marcada por críticas a postura de Israel na guerra com Hamas

Presidente brasileiro não poupou o governo de Benjamin Netanyahu pela escalada na violência do conflito e voltou a defender a criação de um estado palestino na Faixa de Gaza

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Lula visitou o Egito a convite do presidente Abdel Fattah al-Sisi • Ricardo Stuckert/PR

A passagem do presidente Lula pelo Egito, em uma agenda para celebração dos 100 anos de diplomacia entre os dois países, foi marcada por duras críticas da autoridade brasileira à postura de Israel na guerra contra o Hamas. Lula também se queixou da postura da Organização das Nações Unidas (ONU) em meio ao conflito.

A fala mais dura contra Israel foi dada após a reunião com representantes da Liga dos Estados Árabes. Segundo Lula, o país estaria agindo de forma desproporcional no conflito.

“O ataque do Hamas de 7 de outubro contra civis israelenses é indefensável e mereceu veemente condenação do Brasil. A reação desproporcional e indiscriminada de Israel é inadmissível e constitui um dos mais trágicos episódios desse longo conflito. As perdas humanas e materiais são irreparáveis. Não podemos banalizar a morte de milhares de civis como mero dano colateral”, disse.

Recentemente, em meio a negociações para um cessar-fogo mediado pelo Egito e outros países árabes, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu anunciou uma nova ofensiva do exército, desta vez na região de Rafah, considerada até então a última zona segura para os palestinos que vivem na Faixa de Gaza.

A ação foi novamente condenada por Lula, que reiterou a proposta para criação de um estado palestino na Faixa de Gaza como proposta para solucionar as tensões na região. “Não haverá paz enquanto não houver um Estado palestino, dentro de fronteiras mutuamente acordadas e internacionalmente reconhecidas, que incluem a Faixa de Gaza e a Cisjordânia, tendo Jerusalém Oriental como sua capital”, defendeu.

“O que é lamentável é que as instituições multilaterais que foram criadas para ajudar a solucionar esses problemas, elas não funcionam”, disse Lula, que defendeu a inclusão de mais países africanos nas discussões globais. “É preciso que o Conselho de Segurança da ONU tenha outros países participando. Outros países da África, outros países da América Latina participando. É preciso que tenha uma nova geopolítica na ONU. É preciso acabar com o direito de veto dos países. E é preciso que os membros do conselho de segurança sejam atores pacifistas, e não atores que fomentem a guerra”, declarou.

Nesta quinta-feira Lula segue para Adis Abeba, capital da Etiópia. Além de participar dos eventos relacionados à agenda da Cúpula de Chefes de Estado e Governo da União Africana (UA), a comitiva brasileira terá encontros bilaterais com representantes de diversos países africanos até o domingo, quando está marcada a volta para o Brasil.

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Supervisor da Rádio Itatiaia em Brasília, atua na cobertura política dos Três Poderes. Mineiro formado pela PUC Minas, já teve passagens como repórter e apresentador por Rádio BandNews FM, Jornal Metro e O Tempo. Vencedor dos prêmios CDL de Jornalismo em 2021 e Amagis 2022 na categoria rádio