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Seu pet está envelhecendo ou ficando frágil? Sinais podem aparecer antes da perda de autonomia

Dificuldade para levantar, perda de massa muscular, cansaço e mudanças de comportamento podem indicar síndrome da fragilidade em cães e gatos idosos

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cachorro e gato
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Quando um cão ou gato mais velho começa a dormir mais, andar devagar ou deixar de subir nos lugares onde costumava ficar, é comum que a família pense que tudo faz parte da idade. Em muitos casos, realmente existem mudanças naturais relacionadas ao envelhecimento. Mas esses sinais também podem indicar algo que merece mais atenção: a síndrome da fragilidade.

Conforme explica o médico-veterinário Marcelo Müller ao Portal Cães e Gatos, o conceito vem ganhando espaço na Medicina Veterinária porque considera não apenas quantos anos o animal tem, mas também quanto de capacidade ele ainda possui para enfrentar doenças, estresse e mudanças na rotina.

Segundo o profissional, um cão de 12 anos, por exemplo, pode continuar ativo, curioso, com boa massa muscular e capacidade de recuperação. Outro animal da mesma idade pode apresentar cansaço, perda muscular, dificuldade para caminhar e menor interação. Apesar de terem a mesma idade no calendário, os dois podem estar em condições físicas muito diferentes.

"É a idade", costuma ser a explicação mais rápida quando essas mudanças aparecem. Porém, nem sempre é apenas isso.

O que é a síndrome da fragilidade?

A fragilidade não é uma doença específica e também não significa simplesmente ser velho. Ela está relacionada ao acúmulo de perdas que diminui a resistência do organismo.

Enquanto o animal possui uma boa reserva física, consegue enfrentar pequenos desequilíbrios e se recuperar depois de uma doença. Quando essa reserva diminui, situações que antes seriam facilmente superadas podem provocar consequências maiores.

Uma infecção, uma noite sem comer, uma mudança de ambiente ou até mesmo um procedimento considerado simples podem exigir uma recuperação muito mais lenta.

Em 2024, pesquisadores desenvolveram uma ferramenta clínica para avaliar a fragilidade em cães idosos considerando cinco áreas: condição nutricional, cansaço, interação social, mobilidade e condição muscular.

No estudo, os cães classificados como frágeis apresentaram risco de morte por diferentes causas quase cinco vezes maior nos seis meses seguintes. O resultado, porém, não significa que a escala determine quanto tempo um animal viverá. Ela funciona como um alerta para indicar que aquele organismo possui menor margem de segurança e pode precisar de uma avaliação mais cuidadosa.

Nos gatos, os estudos ainda estão em uma fase mais inicial. Uma pesquisa piloto publicada em 2025 acompanhou animais entre 11 e 20 anos e encontrou diferença importante entre gatos considerados frágeis e aqueles que não apresentavam essa condição.

Pequenas mudanças podem esconder um problema maior

A fragilidade dificilmente aparece como uma queixa clara durante a consulta veterinária. Em geral, os responsáveis percebem pequenas alterações no comportamento, como perceber que o cão ou gato está mais preguiçoso ou ficando ranzinza.

Essas mudanças podem fazer parte do envelhecimento, mas também podem estar relacionadas a dor, doença renal, problemas cardíacos, alterações hormonais, doenças neurológicas, problemas odontológicos, perda de sentidos, declínio cognitivo ou redução da massa muscular.

O problema é que essas perdas podem se somar aos poucos. O animal se movimenta menos, perde músculos, sente mais dificuldade para caminhar, fica cansado e passa a interagir menos. Com isso, a própria falta de atividade pode acelerar a perda funcional.

Peso normal não significa que a musculatura esteja saudável

A chamada sarcopenia está relacionada à redução progressiva da massa e da função dos músculos durante o envelhecimento. Já a caquexia está ligada à perda corporal provocada por doenças crônicas ou graves. A fragilidade é mais ampla e pode envolver músculos, mobilidade, alimentação, cognição, atividade e capacidade de adaptação.

Um animal pode perder músculos sem apresentar uma grande mudança na balança. Isso acontece principalmente quando ele perde massa muscular e, ao mesmo tempo, acumula gordura.

Por isso, apenas pesar o pet não é suficiente. A avaliação veterinária também deve observar a condição corporal e muscular. Regiões como coluna, escápulas, crânio e pelve podem revelar perdas que ficam escondidas pelo pelo ou pelo excesso de gordura.

Nos gatos, essa mudança pode ser ainda mais discreta e passar despercebida durante bastante tempo.

Gatos podem esconder a perda de autonomia

Os felinos costumam demonstrar suas limitações de maneira diferente dos cães. Em vez de apresentar uma dificuldade evidente, podem simplesmente modificar seus hábitos para evitar aquilo que ficou difícil.

Um gato que costumava subir em móveis altos pode passar a dormir em uma cadeira. Outro pode deixar de acessar uma janela ou ter dificuldade para entrar em uma caixa sanitária com bordas elevadas.

Também pode diminuir a própria higiene porque alguns movimentos se tornaram dolorosos ou difíceis.

Para a família, pode parecer apenas uma mudança de preferência. Mas, na realidade, o animal pode estar mostrando uma perda de capacidade.

Uma maneira de observar isso é acompanhar o tamanho do território que o gato utiliza dentro de casa. Se ele costumava circular por diferentes cômodos, superfícies e alturas e passou a permanecer quase sempre em poucos lugares, a alteração merece atenção.

O gato não precisa mancar para sentir dor. Também não precisa parar de comer para apresentar algum problema.

Quais sinais devem ser observados em casa?

Algumas mudanças podem ajudar a família a perceber precocemente que algo está diferente. Entre elas estão:

  • dificuldade ou demora para levantar
  • escorregões frequentes em pisos lisos
  • hesitação para subir escadas ou móveis
  • dificuldade para entrar no carro
  • necessidade de fazer mais pausas durante os passeios
  • menor interesse por brinquedos, pessoas ou outros animais
  • perda de peso ou redução do apetite
  • mudanças na mastigação
  • coluna, escápulas ou ossos da pelve mais aparentes
  • alterações na higiene, especialmente em gatos
  • sono excessivo durante o dia
  • inquietação durante a noite
  • confusão em ambientes conhecidos
  • dificuldade para chegar até a água, comida ou caixa sanitária
  • mudanças na postura para urinar ou evacuar
  • irritabilidade ao ser tocado ou movimentado

Um único sinal não significa necessariamente que o animal esteja frágil. O mais importante é observar o conjunto de mudanças, sua evolução e a diferença em relação ao comportamento habitual daquele animal.

Registrar o peso, tirar fotografias periodicamente e gravar vídeos espontâneos do pet levantando, caminhando, subindo um degrau ou usando a caixa sanitária também pode ajudar o veterinário durante a avaliação.

Fragilidade não significa que não há mais o que fazer

Dor nas articulações, problemas odontológicos, alterações urinárias, distúrbios hormonais, hipertensão, doença renal, problemas cardíacos, anemia, deficiência nutricional e até efeitos adversos de medicamentos podem contribuir para a perda de capacidade.

Algumas dessas condições podem ser tratadas. Outras podem ser controladas para reduzir o impacto sobre a rotina do animal.

A avaliação veterinária pode considerar histórico, exame físico, condição corporal e muscular, mobilidade, dor, cognição, saúde oral, alimentação, ingestão de água, doenças já diagnosticadas e medicamentos utilizados. Exames laboratoriais e de imagem podem ser indicados conforme cada caso.

A identificação da fragilidade também ajuda o profissional a planejar tratamentos levando em consideração a capacidade que aquele animal possui para enfrentar anestesia, internação, jejum, mudanças de ambiente e outros procedimentos.

Mudanças simples podem ajudar o animal a manter a autonomia

Embora ainda não seja possível afirmar que a síndrome da fragilidade seja completamente reversível, vários fatores relacionados a ela podem ser tratados ou melhorados.

O controle da dor pode favorecer a movimentação. A reabilitação pode ajudar na força, no equilíbrio e na coordenação. O tratamento de doenças pode melhorar o apetite e a disposição. A alimentação também pode ser ajustada para ajudar na preservação muscular, sempre levando em consideração outras condições de saúde.

O ambiente também pode ser adaptado. Tapetes antiderrapantes, rampas, degraus intermediários, camas mais fáceis de acessar e caixas sanitárias com entrada baixa podem facilitar a rotina de um animal que perdeu força ou mobilidade.

A atividade física também precisa ser adequada à condição do pet. A ideia não é exigir que um animal idoso tenha o mesmo desempenho de quando era jovem, mas evitar que o repouso absoluto acelere ainda mais a perda funcional.

O melhor momento para agir pode ser antes da fragilidade

Existe ainda o conceito de pré-fragilidade. É quando o animal ainda não apresenta uma perda ampla de capacidade, mas começa a demonstrar dificuldades em uma ou duas áreas.

Pode ser o cachorro que ainda passeia, mas se cansa mais rápido. Ou o gato que continua subindo no sofá, mas deixou de alcançar uma prateleira onde costumava ficar.

Também pode ser o animal que mantém o peso, mas começa a perder massa muscular.

Esse período pode representar uma oportunidade importante para investigar o que está acontecendo e tentar preservar a autonomia antes que as limitações se tornem maiores.

A prevenção, nesse caso, não envolve apenas procurar doenças que ainda não apareceram. Também significa observar quais capacidades o animal começou a perder.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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