Passarinho gordo pode ter a saúde comprometida? Veterinários explicam
A obesidade em aves de estimação é mais comum do que se imagina e pode causar problemas sérios

Para muitos tutores, um passarinho “gordinho” parece saudável ou fofo. No entanto, a obesidade em aves de estimação é uma condição clínica que pode gerar complicações graves, como problemas cardíacos, hepáticos e respiratórios.
A Sociedade Brasileira de Medicina Veterinária (SBMV) alerta que o excesso de peso em pássaros está frequentemente ligado a alimentação inadequada e falta de estímulo físico.
Espécies como calopsitas, periquitos e agapórnis estão entre as mais afetadas, principalmente quando mantidas em gaiolas pequenas ou sem enriquecimento ambiental.
Sinais de obesidade e fatores de risco
Detectar obesidade em aves pode ser difícil, pois a plumagem esconde o acúmulo de gordura. Alguns sinais de alerta incluem abdômen volumoso, quila encoberta, respiração ofegante em repouso, apatia e pele amarelada sob as penas do abdômen.
Entre os principais fatores que contribuem para o ganho de peso estão alimentação excessiva com sementes oleaginosas, petiscos humanos, falta de espaço para voar, sedentarismo e predisposição genética.
Pesquisas da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) mostram que alterações metabólicas e hormonais também podem ser determinantes, reforçando a importância do acompanhamento veterinário especializado.
Como prevenir e tratar o sobrepeso em aves
A obesidade pode ser revertida com medidas gradativas e seguras. Segundo especialistas do Instituto Brasileiro de Veterinária de Animais Silvestres (IBVAS), é essencial adotar uma abordagem integrada, incluindo mudanças na dieta, estímulo físico e monitoramento veterinário.
Dicas práticas para ajudar um passarinho a manter o peso saudável:
- Substituir sementes oleaginosas por rações extrusadas balanceadas;
- Introduzir frutas e vegetais adequados à espécie;
- Estimular voos supervisionados e atividades com brinquedos interativos;
- Reduzir ou eliminar petiscos calóricos e alimentos humanos;
- Realizar check-ups regulares para avaliar escore corporal e possíveis problemas de fígado, coração ou metabolismo;
- Observar mudanças de comportamento e apatia, ajustando a dieta e atividades conforme orientação veterinária.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



