Ômega 3 na dieta canina traz benefícios, mas suplementação precisa de critério
Veterinários explicam quando a adição do nutriente faz diferença e alertam para riscos da automedicação

O ômega 3 é um ácido graxo essencial que exerce funções importantes na saúde dos cães, como no fortalecimento do sistema imunológico, a melhora da qualidade da pele e do pelo, o controle de processos inflamatórios e o suporte à função cerebral.
Embora seja encontrado naturalmente em alguns alimentos, como peixes gordurosos e sementes de linhaça, a suplementação deve ser avaliada cuidadosamente.
Quando é necessária a suplementação de ômega 3?
Muitos tutores oferecem o suplemento na crença de que ele é benéfico para todos os cães, mas a verdade é que a suplementação deve ser direcionada a casos específicos (leia mais abaixo).
São situações em que a inclusão de ômega 3 pode trazer benefícios comprovados:
- Problemas dermatológicos, como alergias e dermatites atópicas, que causam coceira e inflamação da pele;
- Doenças inflamatórias crônicas, como artrite, que afetam a mobilidade e o conforto do animal;
- Distúrbios neurológicos e cognitivos, especialmente em cães idosos, que apresentam declínio mental;
- Períodos de recuperação pós-cirúrgica, nos quais o controle da inflamação é importante para a cicatrização;
- Condições cardiovasculares que podem se beneficiar das propriedades anti-inflamatórias e cardioprotetoras do ômega 3.
A escolha do suplemento deve considerar a concentração dos ácidos graxos EPA e DHA, a pureza do produto e a forma de administração, sempre com acompanhamento profissional para evitar superdosagem e efeitos adversos.
Embora o ômega 3 seja um nutriente essencial e benéfico para a saúde dos cães, a suplementação indiscriminada pode trazer riscos.
Oferecer ômega 3 sem necessidade pode causar problemas gastrointestinais, como diarreia, vômitos e desconforto abdominal, decorrentes do excesso de gordura na dieta.
Além disso, o ômega 3 possui efeito anticoagulante natural, o que pode alterar a coagulação do sangue e aumentar o risco de sangramentos, principalmente se o animal já estiver em uso de medicamentos que afetam a coagulação.
A médica-veterinária Ana Paula Mendes reforça que “a suplementação de ômega 3 deve ser feita com critério e sempre sob acompanhamento veterinário, pois o excesso pode ser tão prejudicial quanto a falta”.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



