O perigo invisível que pode fazer peixes sufocarem dentro d'água
Entenda como a falta de oxigênio dissolvido, as altas temperaturas e a poluição podem afogar esses animais em seu próprio habitat

A ideia de que um peixe pode sufocar dentro da própria água parece algo impossível, afinal, o ambiente aquático é o seu lar natural. No entanto, por trás da aparente tranquilidade de rios, lagos, oceanos e até de aquários domésticos, existe um perigo silencioso que muitos não percebem: os peixes podem, sim, perder a capacidade de respirar e sufocar sem nunca ter saído da água.
Ao contrário do que grande parte das pessoas imagina, os peixes não respiram a água em si, mas sim o oxigênio dissolvido nela. Por meio de suas delicadas guelras, eles captam esse oxigênio contido na água em movimento e o transferem para a corrente sanguínea. Quando os níveis desse gás despencam, o pânico se instala no ambiente aquático.
Nesses momentos de crise, é comum observar os peixes subindo em massa para a superfície. Muitas vezes esse comportamento é confundido com fome ou um hábito curioso, mas na verdade trata-se de um gesto desesperado de sobrevivência, já que a lâmina superior da água costuma reter um pouco mais de oxigênio.
Conforme explica uma reportagem publicada pelo site indiano 'Times Pets', diversos fatores podem transformar um ecossistema saudável em uma armadilha mortal. Um dos fatos mais impressionantes é que a água quente consegue reter menos oxigênio do que a água fria. É por essa razão que grandes mortandades de peixes costumam acontecer durante ondas de calor no verão. As mudanças climáticas e o aquecimento dos oceanos vêm intensificando esse fenômeno no mundo todo, fazendo com que águas aparentemente calmas se tornem locais com baixíssima oxigenação.
A poluição por esgoto, resíduos químicos e o descontrole no crescimento de algas agravam ainda mais a situação. Quando as algas morrem e entram em decomposição, elas consomem quase todo o oxigênio restante na água. O resultado é o colapso silencioso do ecossistema, sem barulho ou alarde, onde os animais simplesmente vão perdendo as forças.
A estrutura física dos peixes também desempenha um papel crucial. As guelras são órgãos extremamente sensíveis que exigem fluxo constante de água limpa. Se forem danificadas por produtos químicos, sujeira ou lama espessa, a troca gasosa é interrompida. Algumas espécies, como certos tipos de tubarões, precisam nadar sem parar para que a água continue passando por suas guelras. A explicação é simples: diferente dos seres humanos, os peixes não conseguem simplesmente "dar uma respirada funda".
Já quando são retirados da água, o sufocamento ocorre por outro motivo: sem o suporte do meio líquido, as guelras se colam e entram em colapso, impedindo a absorção do ar. A natureza, porém, criou raras exceções. Peixes como o peixe-pulmonado e algumas poucas espécies tropicais conseguem respirar o ar atmosférico diretamente e até se locomover por curtas distâncias na terra firme, mostrando a incrível capacidade de adaptação da vida selvagem.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.



