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O erro comum com cães e gatos que põe a saúde da família em risco

Entenda a importância da vacinação dos pets na prevenção de zoonoses e veja quais vacinas essenciais eles devem tomar

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Com cães e gatos cada vez mais presentes dentro de casa e tratados como integrantes da família, os cuidados com a saúde preventiva também precisam acompanhar essa mudança. Entre as principais recomendações dos médicos veterinários está a vacinação anual, considerada uma das formas mais eficazes de prevenir doenças graves e impedir a transmissão de zoonoses, infecções que podem passar dos animais para as pessoas.

Segundo reportagem publicada pelo site Revide, a vacinação não protege apenas o pet. Ela também faz parte do conceito de Saúde Única, defendido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pela Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH), que reconhece a conexão entre a saúde humana, animal e ambiental.

"Muitos microrganismos circulam entre diferentes espécies. A Saúde Única reconhece essa relação e busca reduzir os efeitos das ações humanas na emergência e disseminação de zoonoses, pandemias e até da resistência aos antimicrobianos", explica a professora de Parasitologia da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), Lindamar Maria de Souza, em declaração ao Revide.

Doenças passaram a circular mais

Especialistas destacam que a expansão das cidades sobre áreas verdes favoreceu a aproximação entre humanos, animais domésticos e animais silvestres, aumentando o risco de circulação de diversas doenças.

Entre elas está a leishmaniose visceral. "A leishmaniose visceral é um exemplo clássico. Era uma doença restrita ao ambiente silvestre e hoje os cães tornaram-se o principal reservatório doméstico", afirma Lindamar Maria de Souza.

Outra preocupação é a raiva, considerada uma das zoonoses mais perigosas. Embora o Brasil tenha alcançado avanços importantes no controle da doença por meio das campanhas de vacinação, especialistas alertam que o vírus continua presente em animais silvestres, especialmente morcegos.

Dados do Ministério da Saúde citados pela reportagem mostram que o país completou dez anos sem casos de raiva humana transmitida por cães. Além disso, os registros da doença em animais de estimação caíram de quase 1.200 casos, em 1999, para apenas 13 em 2025.

"A raiva é rara hoje, justamente porque a gente vacina em massa. Ela não desapareceu. Continua circulando em morcegos e outros reservatórios silvestres. Quando a cobertura vacinal cai, o risco volta a aumentar", alerta a médica veterinária Isadora Minelli ao Revide.

Pet que vive somente dentro de casa também precisa ser vacinado

Um dos equívocos mais comuns entre os tutores é acreditar que cães e gatos que não saem de casa estão totalmente protegidos.

Segundo a médica veterinária Nátalie Massaro, essa ideia ainda leva muitas pessoas a abandonarem o calendário de vacinação.

"A desinformação ainda pesa mais do que o custo. Muitos tutores acreditam que, porque o animal vive dentro de casa ou aparenta estar saudável, ele não precisa mais ser vacinado", comenta.

Ela explica que vírus e bactérias podem entrar na residência de diferentes formas.

"Mesmo sem sair para passear, cães e gatos podem entrar em contato com vírus e bactérias trazidos nos sapatos, roupas ou pelas mãos dos próprios tutores. Além disso, acidentes acontecem. Um portão pode ficar aberto ou o animal pode precisar ir ao veterinário em uma emergência. Todos devem manter a vacinação em dia."

Outro erro frequente é interromper a imunização após a fase de filhote.

"É muito comum. As pessoas associam a vacina apenas ao filhote. Como o animal cresce saudável, acreditam que não precisa mais. Só que a imunidade diminui com o tempo. O reforço existe justamente para manter essa proteção ativa", esclarece Isadora Minelli.

Segundo os veterinários, a falta dos reforços anuais ainda resulta em muitos casos de doenças graves que poderiam ser evitadas, como parvovirose e cinomose em cães, além de rinotraqueíte e panleucopenia em gatos.

"Infelizmente, ainda atendemos casos de doenças que poderiam ser evitadas com a vacinação. Nos gatos, também vemos rinotraqueíte e panleucopenia. O mais triste é que, na maioria das vezes, essas doenças poderiam ter sido prevenidas", lamenta Nátalie Massaro.

Quais vacinas seu pet precisa tomar

Para garantir a proteção do pet e da casa, os veterinários recomendam um calendário que começa logo nos primeiros meses de vida e segue por toda a jornada do animal.

Esquema básico de vacinação para cães e gatos

  • Cães: Vacina antirrábica (obrigatória por lei) e doses polivalentes (V8 ou V10), que protegem contra parvovirose, cinomose, leptospirose, hepatite infecciosa, adenovirose e parainfluenza.
  • Gatos: Vacina antirrábica e opções polivalentes (V3, V4 ou V5), definidas de acordo com a avaliação do veterinário.
  • Início: As primeiras doses ocorrem entre a 6ª e a 8ª semana de vida, com reforços até os 4 meses.
  • Manutenção: Doses de reforço periódicas aplicadas anualmente durante toda a vida adulta e idosa.

Cuidados além da vacina

Para reforçar a imunidade do pet e proteger toda a família, especialistas orientam adotar uma rotina completa de prevenção:

  • Manter a vermifugação em dia
  • Aplicar produtos contra pulgas e carrapatos regularmente
  • Oferecer água limpa e ração de boa qualidade
  • Higienizar com frequência o espaço onde o pet dorme e faz as necessidades
  • Fazer consultas de rotina com o veterinário

Proteger o seu animal de estimação é um ato de carinho que traz benefpiciospara a saúde pública. "A informação previne a hesitação vacinal", resume a professora Lindamar Maria de Souza. "Quando o tutor entende por que a vacina existe e quais doenças ela evita, ele passa a proteger não apenas o próprio animal, mas toda a comunidade".

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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