Nada de dar ração de coelho para porquinho-da-Índia; saiba por que
Tutores devem escolher ração específica, rica em vitamina C, combinada com feno de qualidade e verduras frescas

As duas espécies de roedores herbívoros compartilham semelhanças na alimentação, mas necessidades nutricionais são diferentes
Foto: Tutores devem entender as diferenças nutricionais de cada pet para garantir a saúde e a longevidade deles
Embora porquinhos-da-índia e coelhos sejam roedores herbívoros e compartilhem algumas semelhanças na alimentação, suas necessidades nutricionais são bastante diferentes.
Isso torna o uso da ração de coelho para o porquinho-da-índia inadequado e potencialmente prejudicial, alertam especialistas do setor pet e veterinários especializados. Uma das diferenças mais importantes é a necessidade de vitamina C.
Porquinhos-da-índia não sintetizam essa vitamina, assim como os humanos, e dependem exclusivamente da alimentação para obtê-la.
Já as rações de coelho não contêm níveis adequados desse nutriente, o que pode levar ao escorbuto, doença que provoca fraqueza, sangramento nas gengivas e dores nas articulações.
A condição afeta severamente a qualidade de vida do animal, aponta o portal Porquinho-da-Índia em publicação sobre o tema.
Para suprir essa necessidade, a recomendação é que a dieta diária contenha uma suplementação entre 10 a 30 mg/kg de vitamina C, podendo chegar a valores maiores em animais gestantes ou enfermos.
De acordo com o portal Perito Animal, além da vitamina C, a composição nutricional da ração de coelho difere significativamente da ideal para o porquinho-da-índia, especialmente nos níveis de cálcio, fibras e gorduras.
Segundo o Guia de Alimentos Naturais do veterinário Warley Leal, a base da alimentação saudável para porquinhos-da-índia deve ser o feno de capim, especialmente o feno de timóteo, disponível à vontade durante todo o dia (no equivalente a 60 a 80% da dieta).
A ração comercial específica, enriquecida com vitamina C, deve ser ofertada em porções controladas, geralmente entre uma e duas colheres de sopa diárias.
Além disso, os vegetais verdes escuros, como couve, rúcula e agrião, são importantes fontes naturais de vitamina C e fibras, e devem compor cerca de 10 a 30% da alimentação diária.
Frutas e legumes podem ser oferecidos em pequenas quantidades, entre 5 a 10%, para evitar excessos de açúcares e cálcio que podem prejudicar a saúde do animal.
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) reforça que a dieta deve ser ajustada conforme a idade, peso e condição de saúde do porquinho-da-índia, com acompanhamento profissional de médicos veterinários especializados em animais exóticos.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



