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Macacos podem criar laços com outros animais como se fossem pets, aponta estudo

Pesquisa liderada pela Universidade de Oxford reuniu 427 casos e encontrou comportamentos de cuidado, brincadeira e até adoção entre primatas e animais de outras espécies

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macaco prego amarelo
Macaco-prego-amarelo • Tiago Falótico via Wikimedia Commons

Macacos e outros primatas podem estabelecer relações de proximidade com animais de espécies diferentes de maneira semelhante ao que os humanos fazem com seus animais de estimação. É o que indica um estudo internacional liderado pela Universidade de Oxford, no Reino Unido, e publicado na revista científica Primates.

Os pesquisadores analisaram 427 casos de interações entre primatas e outros animais. O levantamento reuniu informações de estudos científicos, reportagens e respostas de especialistas em primatologia. Ao todo, foram identificadas 88 espécies de primatas interagindo com 127 espécies parceiras, sendo 55 delas não primatas.

Segundo os pesquisadores, os encontros vão além de situações em que espécies diferentes compartilham um ambiente por motivos como busca por alimento ou proteção. Em diversos casos, os primatas demonstraram curiosidade, tolerância, brincadeiras e comportamentos de cuidado sem uma vantagem prática evidente.

Entre os exemplos estão macacos-de-cauda-curta que limpavam cães domésticos na Tailândia, langures-cinzentos que acariciavam esquilos-gigantes no Sri Lanka e jovens macacos que brincavam com porcos domésticos na China.

Um dos casos mais curiosos ocorreu no Brasil. Macacos-prego-amarelos foram observados adotando e cuidando de um filhote de sagui durante meses. O comportamento chamou a atenção justamente porque envolvia cuidado prolongado entre espécies diferentes.

Comportamento pode ajudar a entender a relação entre humanos e animais

Para os cientistas, essas interações não significam necessariamente que os primatas tenham "animais de estimação" da mesma forma que os humanos. A interpretação é que esses comportamentos podem representar características evolutivas relacionadas à capacidade de criar vínculos com outras espécies.

"Nosso estudo mostra que muitos primatas também exibem uma curiosidade, tolerância e até cuidados notáveis em relação a animais que não são da sua própria espécie", afirmou o pesquisador Cyril Grueter, da Universidade de Oxford. Segundo ele, essas características podem estar entre os elementos que contribuíram para o desenvolvimento do companheirismo entre humanos e animais.

Apesar dos casos de convivência amigável, nem todas as interações tiveram um desfecho positivo. Os pesquisadores registraram 13 situações em que o animal que interagia com o primata morreu. Em um dos episódios, um babuíno macho na Arábia Saudita carregava um filhote de cachorro por longos períodos, comportamento que pode ter representado uma manipulação excessiva.

Os autores defendem que o registro sistemático dessas interações pode contribuir para compreender melhor a evolução da empatia e da flexibilidade social entre os primatas. Os resultados também podem ajudar no manejo de animais que convivem em grupos mistos em zoológicos e santuários.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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