Creatinina alta em cães nem sempre significa doença renal; entenda
Alteração no exame não é, por si só, um diagnóstico definitivo; histórico clínico do animal, sua ingestão de água, cor da urina e até o nível de atividade física contam

A creatinina é uma substância resultante do metabolismo dos músculos e que circula no sangue até ser filtrada pelos rins. Quando o exame aponta valores elevados, isso indica que os rins podem não estar funcionando adequadamente.
No entanto, veterinários reforçam que esse dado isolado não basta para concluir que há doença renal.
De acordo com a médica-veterinária Lysandra Barbieri, em entrevista ao blog da Cobasi, é necessário considerar o histórico clínico do animal, sua ingestão de água, a cor da urina e até o nível de atividade física. “A creatinina pode subir, por exemplo, em situações de desidratação ou após esforço muscular intenso, sem que haja lesão nos rins”, diz.
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O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) lembra que diagnósticos precisos em cães e gatos dependem de uma abordagem mais ampla.
“A interpretação deve ser feita com base em outros exames, como ureia, avaliação de urina e ultrassonografia abdominal”, aponta a instituição em nota técnica sobre exames laboratoriais em animais.
O tratamento vai depender das especificidades do caso, mas geralmente inclui hidratação intravenosa, dieta terapêutica específica, medicamentos de suporte e acompanhamento regular.
Para os tutores, a orientação prática é:
- Não interpretar o exame por conta própria; apenas um veterinário pode avaliar o contexto;
- Observar sinais clínicos, como vômito, apatia e mudanças na urina;
- Realizar exames complementares sempre que a creatinina estiver alterada;
- Em animais idosos ou com histórico renal, manter check-ups periódicos para prevenção;
- Buscar atendimento imediato caso os sintomas se agravem.
Embora assuste no primeiro momento, a creatinina alta não deve ser entendida como uma sentença, mas como um alerta.
Em muitos casos, o problema pode ser controlado com dieta, hidratação adequada e acompanhamento médico. Já em situações graves, a rapidez em buscar ajuda é fundamental para preservar a qualidade de vida do animal.
Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.



