Como os gatos conseguem passar por locais tão estreitos? A anatomia explica
A flexibilidade dos felinos não é apenas uma impressão dos tutores. A estrutura do esqueleto e a maneira como os membros anteriores se conectam ao tronco ajudam esses animais a atravessar espaços que parecem pequenos demais para o próprio corpo

Uma das cenas mais curiosas para quem convive com gatos é observar o animal entrando em caixas, passando por frestas e atravessando aberturas que parecem impossíveis. Às vezes, basta uma pequena passagem para o felino encontrar uma maneira de se espremer e chegar ao outro lado.
Essa habilidade tem relação com características anatômicas bastante particulares. Diferentemente dos seres humanos, os gatos possuem clavículas muito reduzidas, que não formam uma ligação óssea rígida entre os membros anteriores e o restante do esqueleto.
Na prática, isso permite maior flexibilidade na região dos ombros e contribui para a capacidade de movimentação dos felinos.
Os gatos não têm clavícula?
Essa é uma afirmação bastante repetida, mas precisa de uma correção. Os gatos domésticos possuem uma clavícula pequena e reduzida, sem uma articulação óssea convencional com o restante do esqueleto.
Um estudo publicado em 2020 na revista científica The Anatomical Record, sobre a estrutura da clavícula em diferentes espécies de carnívoros, descreveu essa característica anatômica dos felinos.
A conexão dos membros anteriores com o tronco depende principalmente de músculos, tendões e outros tecidos, em vez de uma estrutura óssea rígida como acontece no corpo humano.
Essa organização favorece a mobilidade dos ombros e ajuda a explicar a capacidade dos gatos de ajustar a posição do corpo durante movimentos complexos.
A ciência investigou como eles passam por espaços pequenos
Uma pesquisa publicada em 2024 na revista científica iScience, conduzida pelo pesquisador Péter Pongrácz, da Universidade Eötvös Loránd, na Hungria, investigou como os gatos avaliam aberturas de diferentes dimensões.
O experimento envolveu 30 gatos domésticos, que precisavam atravessar passagens progressivamente menores.
Os resultados mostraram que os animais se aproximavam e entravam até mesmo em aberturas bastante estreitas. Porém, quando a passagem ficava baixa demais para a altura do corpo, eles demonstravam hesitação e procuravam alternativas.
O comportamento sugere que os felinos utilizam informações sobre as dimensões do próprio corpo para avaliar determinados obstáculos, embora a maneira como fazem isso ainda precise ser mais estudada.
Flexibilidade não significa que o gato consiga passar por qualquer lugar
Apesar da habilidade impressionante, os felinos também possuem limites físicos. O tamanho do tórax, a condição corporal e as dimensões da abertura influenciam a possibilidade de atravessar determinado espaço.
Por isso, tutores devem ter cuidado com frestas em portões, janelas, móveis e outros locais nos quais o animal possa ficar preso.
Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.






