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As gaivotas são mais inteligentes do que imaginamos, revela experimento

Estudos com batatas fritas mostram que apenas algumas gaivotas roubam comida, observam o comportamento humano e tomam decisões estratégicas antes de agir

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Quem já perdeu uma batata frita ou um sanduíche para uma gaivota provavelmente ficou com a impressão de que essas aves vivem à espera da próxima oportunidade para atacar. Mas uma série de pesquisas científicas indica que essa fama pode ser exagerada. Experimentos realizados por pesquisadores britânicos mostram que apenas uma pequena parcela das gaivotas costuma roubar comida de pessoas e que elas avaliam cuidadosamente o comportamento humano antes de agir.

Os estudos, conduzidos por cientistas da Universidade de Exeter, no Reino Unido, revelam que essas aves demonstram habilidades cognitivas surpreendentes. Em vez de atacarem qualquer alimento disponível, elas observam o ambiente, identificam riscos e decidem se vale ou não a pena tentar conseguir a refeição.

Experimento com batatas fritas

Para entender como as gaivotas tomam decisões, os pesquisadores realizaram um teste simples em uma praia. Um pacote de batatas fritas foi colocado a cerca de um metro e meio dos cientistas, preso de forma que a ave não pudesse simplesmente levá-lo embora.

Quando uma gaivota se aproximava, os pesquisadores adotavam dois comportamentos diferentes. Em uma situação, olhavam diretamente para a ave. Na outra, desviavam completamente o olhar.

O resultado chamou a atenção. Das 74 gaivotas observadas, apenas 27 chegaram perto da comida e somente 19 realmente tentaram pegá-la. Além disso, elas demonstraram preferência por agir quando percebiam que não estavam sendo observadas.

Segundo os pesquisadores, isso indica que as gaivotas prestam atenção à direção do olhar humano e conseguem avaliar quando existe menor risco de aproximação.

Nem toda gaivota rouba comida

Outro dado importante do estudo ajuda a desfazer um mito. A maioria das gaivotas simplesmente ignorou o alimento oferecido durante o experimento.

Os cientistas acreditam que algumas aves se especializam em aproveitar alimentos deixados por pessoas, enquanto muitas outras continuam buscando sua alimentação natural, composta por peixes, moluscos e outros recursos encontrados no ambiente.

Essa diferença entre indivíduos é considerada uma das descobertas mais interessantes da pesquisa, pois mostra que nem todas apresentam o mesmo comportamento.

Elas observam nossas escolhas

Em outro experimento, os pesquisadores utilizaram pacotes de batatas fritas de cores diferentes. Enquanto dois pacotes eram colocados na areia, o pesquisador segurava um terceiro nas mãos.

Quando as gaivotas decidiam atacar, quase sempre escolhiam o pacote da mesma cor daquele que estava sendo manipulado pela pessoa.

A descoberta sugere que essas aves aprendem observando os seres humanos e usam essa informação para identificar alimentos que provavelmente valem a pena.

Segundo os pesquisadores, essa capacidade de interpretar pistas visuais aproxima o comportamento das gaivotas do observado em aves conhecidas pela elevada inteligência, como os corvos.

Existe uma forma de evitar os ataques?

Em um dos experimentos, os cientistas reproduziram gravações de uma pessoa dizendo: "Não! Fique longe! Essa é a minha comida, esse é o meu pastel!", tanto em tom de voz neutro quanto de forma mais enérgica.

As gaivotas reagiram às vozes humanas interrompendo a aproximação ao alimento. Elas também demonstraram maior tendência a recuar diante dos gritos do que da fala em tom normal, indicando que conseguem diferenciar essas situações.

Além disso, manter contato visual com a ave reduz significativamente as chances de ela tentar roubar comida.

A ecologista Laura Kelley, uma das pesquisadoras envolvidas nos estudos, recomenda ainda que as pessoas se sentem de costas para uma parede ou outra estrutura, ou permaneçam sob um guarda-sol, dificultando ataques por trás.

Muito além da fama de ladras

As pesquisas também reforçam que as gaivotas possuem uma imagem negativa que nem sempre corresponde à realidade.

Para Laura Kelley, compreender o comportamento dessas aves é um passo importante para melhorar a convivência entre humanos e animais urbanos.

"Precisamos compartilhar nosso ambiente com esses animais. Eles estavam aqui primeiro", afirma a pesquisadora. "Então, se pudermos encontrar uma maneira de coexistir, melhor ainda."

Com o avanço dos estudos, os cientistas esperam descobrir por que apenas algumas gaivotas desenvolvem esse comportamento e se elas conseguem reconhecer pessoas individualmente.

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Jornalista graduado com ênfase em multimídia pelo Centro Universitário Una. Com mais de 10 anos de experiência em jornalismo digital, é repórter do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Antes, foi responsável pelo site da Revista Encontro, e redator nas agências de comunicação Duo, FBK, Gira e Viver.

 

 

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