Belo Horizonte
Itatiaia

Apesar de baixa adesão, gatos também participam de competições de agilidade

Modalidade ainda é pouco popular em comparação às versões caninas; para alguns tutores, o feline agility representa um fortalecimento de vínculo com seus gatos

Por
Organizações de bem-estar animal citadas em guias veterinários reforçam que a prevenção por meio do corte regular é a forma mais simples de evitar complicações • Freepik

Quando se fala em competições de agilidade, a imagem mais comum é a de cães atravessando rampas, túneis e saltos em alta velocidade. Mas os gatos também têm a sua própria versão do esporte, conhecida como feline agility.

A modalidade surgiu nos Estados Unidos no início dos anos 2000 e é promovida principalmente pela The International Cat Association (TICA). Apesar de ser uma alternativa curiosa e estimulante para felinos, a prática ainda é pouco difundida no mundo e não tem a mesma popularidade das competições caninas.

De acordo com a TICA, o objetivo é semelhante ao do agility para cães: o tutor guia o animal em um percurso com obstáculos variados, valorizando não apenas a rapidez, mas também a interação entre tutor e gato.

“É um exercício que proporciona estímulo físico e mental, além de reforçar o vínculo entre gato e dono”, afirma a associação em comunicado sobre a modalidade.

Como são os treinos e os circuitos

O circuito de agilidade felina é composto por obstáculos adaptados ao porte e ao comportamento dos gatos. Rampas, arcos, túneis e plataformas são dispostos em sequência, e o felino deve percorrê-los com a orientação do tutor, geralmente conduzido por brinquedos como varinhas com penas ou petiscos.

Segundo a American Cat Fanciers Association (ACFA), o treino deve ser feito de forma gradual, sempre respeitando os limites do animal e com paciência. Isso porque gatos são naturalmente curiosos, mas também mais seletivos que cães, o que pode tornar o processo mais desafiador.

“O segredo está no reforço positivo e em sessões curtas, para que o gato associe a experiência à diversão”, orienta a ACFA em suas diretrizes oficiais sobre feline agility.

Para tutores que desejam introduzir a atividade em casa ou em competições, é importante considerar alguns pontos fundamentais:

  • Motivação individual e compreensão de que nem todos os gatos se interessam pelo percurso;
  • A prática requer espaço livre de distrações, com obstáculos estáveis e sem riscos;
  • Brinquedos interativos e petiscos são as principais ferramentas de incentivo.
  • Sessões curtas: os treinos devem durar apenas alguns minutos, para evitar estresse ou desinteresse.
  • Mesmo fora das competições, os circuitos ajudam a reduzir o tédio e o sedentarismo dos bichanos.

Enquanto cães competem em campeonatos nacionais e internacionais há décadas, com grande número de inscritos, os gatos ainda estão em fase de descoberta no esporte.

Segundo o Cat Fanciers’ Almanac, publicação oficial da Cat Fanciers’ Association (CFA), a adesão é limitada principalmente pela natureza independente dos felinos e pela dificuldade de engajamento em ambientes cheios de estímulos externos.

Mesmo assim, para alguns tutores, o feline agility representa uma forma inovadora de fortalecer o vínculo com seus gatos. Além de promover atividade física e mental, ajuda a mostrar ao público que os felinos também podem participar.

Por

Jessica de Almeida é repórter multimídia e colabora com reportagens para a Itatiaia. Tem experiência em reportagem, checagem de fatos, produção audiovisual e trabalhos publicados em veículos como o jornal O Globo e as rádios alemãs Deutschlandfunk Kultur e SWR. Foi bolsista do International Center for Journalists.