Minas Gerais figura entre os principais destinos turísticos do país durante o período do Carnaval, com crescimento no número de visitantes e expectativa de impacto econômico significativo. A movimentação ocorre em cidades históricas e na capital, Belo Horizonte, onde blocos de rua, eventos e atividades culturais atraem turistas de diferentes regiões.
De acordo com estimativa do Governo de Minas, a previsão é de que 14,9 milhões de pessoas participem das atividades carnavalescas no estado neste ano. O número supera o registrado no ano anterior, quando foram contabilizados 13,2 milhões de foliões. A projeção econômica aponta que o Carnaval pode movimentar cerca de R$ 5,75 bilhões em Minas Gerais. A ocupação hoteleira, segundo o levantamento, pode alcançar até 95% em alguns municípios durante o período.
O setor turístico mineiro apresentou crescimento em 2025. Dados indicam avanço de 11,8% na atividade turística ao longo do ano, percentual superior à média nacional. O desempenho é atribuído ao aumento do fluxo de visitantes, à diversificação de eventos e à ampliação da oferta de serviços ligados ao turismo e à economia criativa.
Com a intensificação das atividades no Carnaval, empreendedores do setor veem aumento na demanda por hospedagem, alimentação, transporte e serviços culturais. No entanto, especialistas apontam que o desempenho durante a alta temporada não garante equilíbrio financeiro ao longo do ano. A organização das finanças passa a ser considerada um fator central para a continuidade dos negócios após o período de maior movimento.
A líder da XP em Minas Gerais, Marcela Torres, avalia que o momento de maior faturamento deve ser utilizado para estruturar o capital de giro das empresas. Segundo ela, o planejamento financeiro deve considerar tanto o período de alta quanto os meses de menor demanda. A orientação é que os empreendedores façam o levantamento de receitas e despesas atuais e projetem entradas e saídas durante a baixa temporada, com base em dados anteriores, quando disponíveis.
O acompanhamento do fluxo de caixa também é apontado como necessário. O controle mensal das receitas e dos custos permite identificar variações, despesas fixas e eventuais desequilíbrios financeiros. Ferramentas digitais e sistemas de gestão podem auxiliar nesse acompanhamento e na tomada de decisões.
Outro ponto destacado é a criação de reservas financeiras para períodos de menor movimento. A definição de metas e a separação de recursos ajudam a reduzir a dependência de crédito em momentos de queda de faturamento. O acesso a produtos financeiros adequados ao perfil de cada negócio pode contribuir para a preservação dos recursos.
Marcela Torres também ressalta a importância da articulação entre empreendedores, fornecedores e agentes do setor turístico. Parcerias podem facilitar negociações e reduzir custos operacionais. Além disso, a avaliação criteriosa de linhas de crédito disponíveis no mercado é apontada como necessária, considerando taxas, prazos e impacto no caixa das empresas.
Segundo a executiva, o planejamento financeiro depende do acesso a informações consistentes, da análise do momento do negócio e da definição de objetivos para o médio e longo prazo, fatores que influenciam a permanência das atividades após o período do Carnaval.