Animação ambientada em Ouro Preto será exibida nesta quinta-feira no Cine BH
Curta-metragem “O Abraço” apresenta a cidade como cenário e ponto de ligação do pequeno Pedro com a vida, a família e o mundo

Ouro Preto não aparece apenas como cenário do curta-metragem O Abraço. Na animação, a cidade também representa a ligação do pequeno Pedro com a vida, a família e o mundo. Selecionado para a 20ª Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o filme terá uma exibição gratuita nesta quinta-feira (24), às 8h30, no Cine Santa Teresa, em Belo Horizonte.
A relação com Ouro Preto aparece desde o início da história. Pedro deseja abraçar Vila Rica, nome antigo da cidade, mas decide ampliar o gesto para Minas Gerais e, depois, para o mundo inteiro. Ao abraçar o avô, o menino percebe que todo o mundo poderia caber naquele abraço.
Diretor e produtor do curta, Marcelino Luciano Ramos, conhecido como Marcelino Xibil, mora em Ouro Preto há 26 anos. Para ele, a cidade ocupa um papel central na narrativa e também representa sua relação afetiva com o município.
“Ouro Preto, para além de cenário do filme, é também o grande ponto de ligação de Pedro com a vida, com o mundo. Ele surge para essa Ouro Preto. Eu moro em Ouro Preto há 26 anos, e ter meu filho nascendo aqui, nessa cidade, coroa também a minha própria relação com o município”, afirmou.
Segundo Marcelino, a escolha do nome Vila Rica reforça a presença da história local na produção.
“No filme, fiz questão de usar a cidade. A gente usa até o termo Vila Rica, que remete ao passado de Ouro Preto. Mas, além de ser somente um cenário, a cidade é também esse monumento que remete ao afeto e ao carinho. Então, é uma troca do meu afeto por Ouro Preto e também do afeto do Pedro pelo avô, surgindo nessa cidade magnífica, nesse cenário maravilhoso que é Ouro Preto”, explicou.
História nasceu durante a pandemia
O curta é inspirado no livro infantil O Abraço, cuja história começou durante o isolamento provocado pela pandemia de Covid-19. Pedro nasceu em 18 de janeiro de 2020 e passou os primeiros meses sem poder encontrar os avós, que moravam em São Miguel do Anta.
“Pedro nasceu bem no início da pandemia. Meus pais moram em outra cidade, em São Miguel do Anta, e ele ficou seis meses sem poder ver os avós, porque meu pai e minha mãe já eram mais velhos e meu pai tinha comorbidade. Então, ficamos muito reclusos nesse período”, contou Marcelino.
A vontade de reencontrar e abraçar os pais deu origem à história. O texto seria inicialmente enviado a um concurso, mas acabou sendo publicado como livro pela Editora Aletria.
“Teve um dia em que eu estava de madrugada com o Pedro e queria muito poder encontrar e abraçar os meus pais. Acho que foi um sentimento que todo mundo teve naquele momento, essa necessidade de abraçar. Então veio a ideia da história e de expandir esse abraço para o mundo”, afirmou.
De acordo com Marcelino, o livro foi aprovado no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) e vendeu mais de 50 mil exemplares. A adaptação para o cinema foi viabilizada por meio da Lei Paulo Gustavo.
“As ilustrações do livro sempre foram muito elogiadas e foram feitas com muita perfeição. A partir daí, surgiu a ideia de animar essas ilustrações para fazer o filme e criar esse roteiro. Foi um trabalho pensado a muitas mãos”, explicou.
Com duração de dois minutos e 45 segundos, O Abraço integra a mostra Cine-Expressão: A Escola Vai ao Cinema, destinada principalmente a crianças de 8 a 10 anos. O curta teve uma primeira exibição nesta quarta-feira (23), no Teatro Sesiminas, e volta à programação nesta quinta-feira.
Mychelle atua como Estagiária de Jornalismo na Rádio Itatiaia Ouro Preto. Paulistana e aluna da Universidade Federal de Ouro Preto, já atuou em portais como Rádio Plural, Perifacon, Estante Diagonal e possui técnico em Publicidade e Propaganda.


