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Caso Gisele: Tenente-coronel preso é denunciado por assédio contra soldado

Segundo denúncia feita por defesa de soldado da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Rosa Leite Neto tentou insistir diversas vezes em relacionamento amoroso e demonstrava comportamento persecutório

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A defesa de uma soldado da Polícia Militar de São Paulo solicitou à Corregedoria da PM a abertura de um procedimento de apuração sobre o comportamento do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso pelo feminicídio da soldado Gisele Alves Santana.

Na nova denúncia, a policial descreve que Neto tentou insistir diversas vezes em relacionamento amoroso com ela e demonstrava comportamento persecutório. A CNN Brasil teve acesso a notícia crime enviada pela defesa da soldado, que não será identificada, no fim de abril deste ano.

No documento, a defesa da policial acusa Neto de descumprimento de missão, assédio sexual, assédio moral, ameaça e fraude processual. A soldado trabalhava como auxiliar no 49º BPM, o mesmo de Neto. Segunda ela, as investidas do agente começaram logo nas primeiras semanas dele como tenente-coronel no batalhão.

A agente relata um que em que Neto solicitou uma reunião particular com ela na cozinha do batalhão e ofereceu o cargo de secretária particular dele. Antes mesmo que ela respondesse, Neto espalhou a mudança de cargo para os colegas. Mesmo assim, Rariane afirma que recusou o convite.

Em resposta, o tenente-coronel disse que a "puxaria" para a função mesmo sem seu consentimento, pois ele, como comandante, possuía "o poder hierárquico e disciplinar sobre todos policiais do 49º BPM/M".

Com as insistências por parte do comandante, a soldado solicitou a transferência do trabalho na administração para o patrulhamento na rua.

Insistências e declarações

Mesmo após a transferência, a solado afirma que Neto continuou tentando, de diversas maneiras, se aproximar dela e continuava demonstrando interesse em sua vida pessoal. Além de ligações e mensagens recebidas recorrentemente, o tenente-coronel também a procurava em outros efetivos e até na residência dela.

Em agosto de 2025, Neto teria descoberto que a soldado e outro policial teriam um compromisso na prefeitura e disse que levariam os dois até o local, pois estaria atuando na mesma região.

Um mês depois, o policial chegou a levar pessoalmente um buquê de flores na casa da soldado. Por ele estar sem farda, a soldado só conseguiu perceber que se tratava dele quando chegou perto. Assim que o viu, ela diz ter se afastadio, mas afirma que o tenente-coronel seguiu no local gritando seu nome. Pouco tempo depois, ele foi visto novamente no mesmo endereço, mas, dessa vez, fardado.

Ainda conforme a denúncia, a soldado evitava ficar sozinha e recusava todas as escalas voluntárias em que Neto aparecia. Porém, o tenente-coronel tentava manter contato com três policiais que eram mais próximas da soldado, como forma de convencê-las de que ele gostava dela e que estaria separado da mulher — a soldado Gisele Alves.

Gisele chegou, inclusive, a procurar a soldado Gisele após descobrir o comportamento do tenente-coronel. “A esposa certamente já sabia das intenções dele”, afirma a denúncia.

A PM também relata que Neto se gabava de sua liderança perante todos os policiais e já afirmou, em uma ocasião, que qualquer denúncia que chegasse contra ele seria administrada por um policial e amigo pessoal do comandante.

Outro lado

Em nota, a defesa de Geraldo Neto afirmou que não possui ciência sobre a denúncia.

*Com informações de Giuliana Zanin, da CNN Brasil

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Yuri Cavalieri é jornalista e pós-graduado em política e relações internacionais. Tem mais de 13 anos de experiência em rádio e televisão. É correspondente da Itatiaia em São Paulo. Formado pela Universidade São Judas Tadeu, na capital paulista, começou a carreira na Rádio Bandeirantes, empresa na qual ficou por mais de 8 anos como editor, repórter e apresentador. Ainda no rádio, trabalhou durante 2 anos na CBN, como apurador e repórter. Na TV, passou pela Band duas vezes. Primeiro, como coordenador de Rede para os principais telejornais da emissora, como Jornal da Band, Brasil Urgente e Bora Brasil, e repórter para o Primeiro Jornal. Em sua segunda passagem trabalhou no núcleo de séries e reportagens especiais do Jornal da Band.

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