Defesa de cabeleireiro esfaqueado classifica caso em SP como tentativa de homicídio e homofobia
Caso ocorreu na última terça-feira (5), em um salão de beleza na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo

A defesa do cabeleireiro Eduardo Ferrari, de 29 anos, discorda da avaliação da Polícia Civil de São Paulo de que o episódio do golpe de faca dado nas costas do profissional pela cliente Laís Gabriela da Cunha, de 27 anos, seja enquadrado apenas como lesão corporal leve e ameaça. O caso ocorreu na última terça-feira (5), em um salão de beleza na Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo.
Em posicionamento enviado à Itatiaia, a advogada do cabeleireiro, Quecia Montino, defendeu que o ataque cometido por Laís Gabriela seja enquadrado como tentativa de homicídio e homofobia. A defesa ressalta que a insatisfação da agressora é referente a um corte de cabelo feito há quase 30 dias, afastando a tese de que ela agiu por impulso.
Segundo a advogada, após a facada, a cliente afirmou, diante dos policiais e da autoridade policial, que saiu de casa com a intenção de matar o profissional. Na sequência, ela proferiu ofensas homofóbicas contra o cabeleireiro, ainda conforme a advogada. "Circunstância extremamente grave, que pode evidenciar não apenas o dolo na prática criminosa, mas também possível motivação discriminatória de caráter homofóbico", diz a advogada".
"Também causa preocupação o afastamento, neste primeiro momento, da hipótese de lesão corporal de natureza grave, sob o fundamento de que a acusada não apresentaria potencial risco ofensivo", complementa a defesa.
Entenda o que aconteceu:
A agressora Laís Gabriela da Cunha, que confessou o crime e foi flagrada por câmeras de segurança, afirmou que esfaqueou o cabeleireiro por ter ficado inconformada com o corte feito pelo profissional na franja do seu cabelo. A Itatiaia teve acesso às imagens do circuito interno de segurança do estabelecimento. No vídeo, é possível ver o momento em que a agressora, que não teve o nome inicialmente divulgado, retira uma faca da bolsa e atinge Eduardo Ferrari pelas costas, enquanto ele atendia outra cliente.
Após perceberem o ataque, funcionários agem rapidamente e conseguem conter a mulher. Em um vídeo que viralizou nas redes sociais, Laís Gabriela da Cunha, após golpear o cabeleireiro, continuava reclamando do cabelo dela mesma. “O dono do salão estragou todo o meu cabelo. Eu vim fazer mechas loiras, mas ele dividiu meu cabelo e foi picotando com uma tesoura navalha. A minha franja está parecendo a do Cebolinha, porque ele cortou todo o meu cabelo. Eu mandei mensagem no WhatsApp, e eles ficaram dois dias sem me responder”, disse a mulher, que relatou ter ofendido o profissional.
A Polícia Militar foi acionada e encontrou a agressora contida por profissionais do estabelecimento. Ela confessou o crime e foi presa. A perícia da Polícia Civil também esteve no local. O caso foi registrado como lesão corporal e ameaça no Distrito Policial e encaminhado ao Juizado Especial Criminal (Jecrim). Apesar do ferimento, o cabeleireiro passa bem e não corre risco. Segundo a defesa, ele está profundamente abalado com o ocorrido.
Correspondente da Rádio Itatiaia em São Paulo. Apresentador do quadro Palavra Aberta e debatedor do Conversa de Redação. Ingressou na emissora em 2023. Começou no rádio comunitário aos 14 anos. Graduou-se em jornalismo pela PUC Minas. No rádio, teve passagens pela Alvorada FM, BandNews FM e CBN, no Grupo Globo. Na Band, ocupou vários cargos até chegar às funções de âncora e coordenador de redação na Band News FM BH. Na televisão, participava diariamente da TV Band Minas e do Band News TV. Vencedor de nove prêmios de jornalismo. Em 2023, foi reconhecido como um dos 30 jornalistas mais premiados do Brasil.
