Vírus Nipah: o que se sabe sobre casos confirmados na Índia
Organização Mundial da Saúde confirmou infecção em uma mulher e um homem, que trabalham em um hospital particular; autoridades tentam acalmar a população

A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou dois casos do vírus Nipah em enfermeiros no estado de Bengala Ocidental, na Índia, neste mês de janeiro. Até o momento nenhuma morte foi confirmada.
Os pacientes são um homem e uma mulher de 25 anos, que trabalham no mesmo hospital particular, segundo a OMS. Os dois apresentaram os primeiros sintomas no fim de dezembro e a infecção evoluiu rapidamente para complicações neurológicas. Eles foram colocados em isolamento no início de janeiro.
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O último boletim médico, divulgado no dia 21 de janeiro, apontou que o homem infectado estava se recuperando, enquanto a mulher estava em estado crítico. Não existem medicamentos ou vacinas específicos contra o vírus.
Autoridades de saúde indianas buscam tranquilizar a população, afirmando que a situação está sob controle. O Ministério de Saúde do país informou que as autoridades identificaram e rastrearam 196 contatos ligados aos pacientes, nenhum deles apresentou sintomas e todos testaram negativo para o vírus Nipah.
Histórico do vírus
O primeiro surto foi reconhecido na Malásia e, posteriormente, atingiu a Singapura, há 27 anos. Na época, a maioria das infecções humanas aconteceram após o contato direto com porcos doentes.
Casos também foram confirmados em Bangladesh e na Índia, quando o vírus se espalhou diretamente de pessoa para pessoa. Em Siliguri, na Índia, em 2001, a transmissão do Nipah também foi relatada em um ambiente de saúde, onde 75% dos casos foram diagnosticados entre funcionários ou visitantes de um hospital, segundo a OMS.
De 2001 a 2008, metade dos casos relatados em Bangladesh foram devidos à transmissão de pessoa para pessoa por meio do atendimento a pacientes infectados.
Os morcegos hospedeiros do vírus, no entanto, são encontrados em toda a Ásia e no Pacífico Sul, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas, e Tailândia, e na Austrália.
Transmissão
A maioria das infecções humanas, durante o primeiro surto em 1999, resultou no contato direto com porcos doentes ou os tecidos deles que estavam contaminados.
Posteriormente, também foi comprovado que pessoas foram diagnosticadas com o vírus após o consumo de frutas ou produtos derivados de frutas contaminadas com urina ou saliva de morcegos infectados.
Entrar em contato com pacientes ou estar próximo a secreções e excreções humanas infectadas também expõem a pessoa ao vírus.
Sintomas
As pessoas infectadas podem apresentar sintomas como febre, dores de cabeça, dor muscular, vômitos e dor de garganta. Em seguida, podem surgir sinais como tonturas, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos que iniciam encefalite.
Alguns pacientes também podem apresentar pneumonia atípica e problemas respiratórios graves. Encefalite e convulsões ocorrem em casos graves, podendo evoluir para coma em 24 a 48 horas.
A taxa de letalidade é estimada entre 40% e 75%, segundo a OMS. Desde 2018, a revista anual da lista de doenças prioritárias do Plano de P&D da organização indica que existe uma necessidade urgente de acelerar a pesquisa e desenvolvimento de uma cura para o vírus.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



