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Trump diz que acordo de paz com o Irã 'não foi fácil'; China celebra

Acordo prevê cessar-fogo, retirada gradual das forças americanas da região e criação de um mecanismo de monitoramento sob supervisão da ONU

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Presidente Donald Trump na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França.
Presidente Donald Trump na cúpula do G7, em Évian-les-Bains, na França. • Foto por MANDEL NGAN / AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na noite de quarta-feira (17) que as negociações para o acordo de paz firmado entre Washington e Teerã foram complexas. A declaração foi feita após a assinatura do memorando de entendimento entre os dois países.

"Não foi fácil", disse Trump durante um jantar oferecido pelo presidente francês, Emmanuel Macron, no Palácio de Versalhes, na França. Em publicação nas redes sociais, Macron afirmou que o plano de 14 pontos "abre caminho para uma paz duradoura" e pode contribuir para a redução dos preços da energia.

O entendimento também foi comemorado pela China. Em conversa telefônica com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, declarou que "chegou o alvorecer da paz".

Segundo a agência estatal Xinhua, o chanceler chinês destacou que o próximo desafio será assegurar o cumprimento dos compromissos assumidos pelas partes. Wang Yi também ressaltou a importância da normalização da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia.

Para Pequim, o acordo representa uma notícia positiva. Além de preservar um aliado importante em Teerã, a reabertura plena do Estreito de Ormuz tende a reduzir riscos ao abastecimento energético chinês, já que grande parte do petróleo e do gás importados pelo país passa pela região.

Acordo entrou em vigor imediatamente

Uma versão física do memorando foi assinada por Trump e pelo presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, na quarta-feira. De acordo com autoridades iranianas e paquistanesas, o entendimento entrou em vigor imediatamente.

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou que o chamado "Memorando de Entendimento de Islamabad" prevê, como medidas iniciais, a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã e o início do desmonte do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos.

Sharif acrescentou que Paquistão e Catar atuarão como mediadores da próxima etapa das negociações, prevista para ocorrer nas próximas semanas.

O que prevê o memorando

Segundo um alto funcionário do governo americano, o texto estabelece 14 pontos principais, entre eles:

  • cessar-fogo imediato entre Estados Unidos, Irã e aliados;
  • respeito à soberania e compromisso de não interferência nos assuntos internos;
  • prazo de 60 dias para a negociação de um acordo definitivo;
  • retirada gradual das forças americanas da região e redução do bloqueio naval;
  • reabertura do Estreito de Ormuz, com passagem segura e sem cobrança de taxas;
  • plano de reconstrução do Irã estimado em pelo menos US$ 300 bilhões;
  • suspensão gradual das sanções impostas a Teerã;
  • compromisso iraniano de não desenvolver armas nucleares;
  • liberação de ativos iranianos congelados no exterior;
  • criação de um mecanismo de monitoramento para fiscalizar o cumprimento das medidas;
  • validação do acordo final pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).

Apesar do anúncio, o memorando enfrenta resistência em Washington. Parlamentares democratas avaliam que o texto concede benefícios excessivos ao Irã. Entre os republicanos, as reações se dividiram: enquanto alguns classificaram o acordo como um erro estratégico, aliados de Trump defendem que a iniciativa pode reforçar a influência americana no Oriente Médio.

Autoridades dos dois países, no entanto, destacam que o memorando representa apenas a primeira etapa do processo e que as negociações técnicas deverão prosseguir ao longo dos próximos 60 dias.

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